PF investiga acionistas e executivos de bancos em nova fase de operação sobre a Americanas
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure para investigar a fraude contábil de R$ 54 bilhões na Americanas. A ação visa acionistas de referência e executivos do Itaú Unibanco, Bradesco e Santander
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure para aprofundar as investigações sobre a fraude contábil na Americanas, cujo prejuízo é estimado em R$ 54 bilhões, conforme laudos periciais. A ação foca em acionistas de referência da companhia e em executivos de instituições financeiras que mantinham relações com a varejista.
Entre os alvos da operação estão Paulo Alberto Lemann, filho do empresário Jorge Paulo Lemann, e Carlos Alberto da Veiga Sicupira, conhecido como Beto Sicupira. Também é investigado Eduardo Saggioro Garcia, conselheiro da Americanas e sócio da LTS — holding do trio de investidores Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles —, sendo Garcia apontado como operador direto desses sócios.
A operação estende-se ao setor bancário, incluindo José de Castro Araújo Rudge Filho e Gustavo Balassiano, do Itaú Unibanco; Carlos Henrique Villela Pedras, diretor executivo do Bradesco e membro do conselho da Alelo S.A.; além de Alexandre Lian Abdo, chefe de Banking e Corporate Finance, e André Juaçaba de Almeida, vice-presidente executivo, ambos do Santander.
Sobre os perfis dos envolvidos, Paulo Alberto Lemann atuou como conselheiro de administração da Americanas até setembro de 2024, quando deixou o cargo após a indicação de novos nomes para o conselho. Seu pai, Jorge Paulo Lemann, possui fortuna estimada em US$ 20,2 bilhões (R$ 105,2 bilhões) pela Forbes, mas não é alvo desta fase da operação. Já Beto Sicupira, nascido no Rio de Janeiro em 1948 e formado em administração pela UFRJ com especialização em Harvard, detém fortuna de US$ 6,9 bilhões (R$ 35,9 bilhões), originada principalmente de sua participação de 3% na AB InBev. Sicupira também é fundador da Fundação Brava e investidor da Fundação Estudar.
Em resposta, a Americanas informou que a empresa não foi alvo de mandados de busca e apreensão, reiterando que a ação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal trata das fraudes reveladas em 2023, e que continuará colaborando com as apurações.
Os acionistas de referência manifestaram surpresa com a operação e alegaram que a antiga diretoria da companhia os enganou e induziu a erro, baseando-se em investigações e acordos de colaboração premiada realizados nos últimos anos. O grupo afirmou que a medida faz parte do curso regular das apurações e que mantém o compromisso de colaborar com as autoridades desde janeiro de 2023. As defesas informaram que ainda aguardam acesso à íntegra da decisão judicial para manifestações complementares.