Justiça

PF investiga desvio de verbas do orçamento secreto com alvo no deputado Josimar Maranhãozinho

25 de Junho de 2026 às 09:03

A Polícia Federal deflagrou a Operação Afluente para investigar desvios de verbas do orçamento secreto, com 18 mandados de busca e apreensão no Maranhão, Goiás e Distrito Federal. A ação, autorizada pelo STF, apura crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o deputado Josimar Maranhãozinho e a Codevasf

PF investiga desvio de verbas do orçamento secreto com alvo no deputado Josimar Maranhãozinho
Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (25), a Operação Afluente para investigar a suspeita de desvio de verbas provenientes do chamado "orçamento secreto". O deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA), atualmente licenciado de seu mandato na Câmara, foi um dos alvos da ação, que incluiu buscas em sua residência, visto que o parlamentar figura como sócio de uma das empresas sob investigação.

A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), visa apurar crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e desvio de recursos públicos operados por uma organização criminosa. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Maranhão, Goiás e no Distrito Federal.

As investigações apontam que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) teria sido utilizada para operacionalizar os valores. Posteriormente, esse montante era destinado à contratação de empresas que possuíam vínculos, diretos ou indiretos, com o grupo investigado.

Este é o novo desdobramento jurídico para Josimar Maranhãozinho, que em março foi condenado pelo STF por desvio de emendas. Naquela ocasião, a Procuradoria-Geral da República (PGR) detalhou que o deputado coordenava a destinação das verbas, controlava planilhas de pagamento, monitorava a liberação dos recursos e efetuava cobranças de propina.

O caso está inserido no contexto das emendas de relator (RP9), conhecidas como "orçamento secreto". Esse mecanismo, consolidado a partir de 2019, permitia a distribuição de bilhões de reais por indicações parlamentares sem a devida transparência sobre os autores das solicitações ou os critérios de divisão, registrando apenas o nome do relator do Orçamento. Devido à falta de rastreabilidade, o STF extinguiu o modelo em dezembro de 2022, declarando-o inconstitucional, embora repasses indicados anteriormente ainda sejam quitados como "restos a pagar".

A defesa do deputado não se manifestou até o momento.

Com informações de G1

Notícias Relacionadas