Justiça

PF investiga empresária por suspeita de tráfico de influência e corrupção em órgãos federais

28 de Agosto de 2026 às 07:52 3 min de leitura

A Polícia Federal investiga a empresária Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. As apurações incluem a tentativa de favorecer a empresa World Cannabis no Ministério da Saúde e pagamentos de R$ 249 mil a Marco Aurélio Santana Ribeiro. Os inquéritos tramitam no STF

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A empresária Roberta Luchsinger é alvo de três inquéritos conduzidos pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de praticar crimes de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações apuram se a empresária e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República, atuaram para beneficiar empresas em órgãos federais.

Investigação sobre fornecimento de canabidiol

Um dos focos da PF são as interações entre Roberta e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. Em maio de 2024, a empresária encaminhou via WhatsApp a Marcola a minuta de um Termo de Referência para a aquisição de canabidiol pelo Ministério da Saúde.

O documento, elaborado pela equipe do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, sugeria a dispensa de licitação para favorecer a empresa World Cannabis. Embora a PF investigue a tentativa de direcionamento do negócio, não há registro de contratos assinados com o governo.

Roberta Luchsinger justifica que a minuta visava solucionar problemas regulatórios do setor, que submeteriam pacientes a produtos importados sem a devida fiscalização da Anvisa. Ela admite ter buscado apoio para o tema, mas nega a existência de transações financeiras em troca de favores.

Fluxo financeiro e relações políticas

A Polícia Federal apurou que Roberta efetuou pagamentos de contas de Marcola. O ex-chefe de gabinete classificou os valores, que somam R$ 249 mil, como um empréstimo pessoal já quitado.

Paralelamente, a empresária atuava como lobista para a empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, tendo recebido R$ 1,5 milhão para prospectar negócios no Ministério da Saúde. Roberta afirma desconhecer que o lobista desviava verbas de aposentadorias.

Sobre a relação com Lulinha, a PF obteve mensagens em que Roberta menciona possuir uma sociedade com ele. A empresária, no entanto, define o vínculo como amizade e afirma que houve apenas a intenção de realizarem projetos juntos. Ela nega ter pago vantagens, como viagens, ao filho do presidente para facilitar o acesso ao governo.

Histórico e desdobramentos jurídicos

A proximidade de Roberta com o PT e com Lulinha teria se iniciado em 2017, intensificando-se em 2018, período em que Lula estava preso. Naquele ano, a empresária concorreu ao cargo de deputada estadual em São Paulo pela legenda petista, mas não foi eleita.

A defesa de Roberta, representada pelo advogado Roberto Podval, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra do sigilo das investigações para a divulgação integral das conversas, alegando que as mensagens estão sendo distorcidas.

Em declaração recente, o presidente Lula afirmou que o filho deve responder judicialmente caso tenha cometido qualquer ilícito, minimizando o conteúdo das mensagens atribuídas à empresária.

Os inquéritos tramitam no STF sob a relatoria dos ministros André Mendonça (em dois dos processos) e Flávio Dino (no terceiro).

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