Justiça

PF investiga possível lavagem de dinheiro envolvendo a família de aliado de ex-banqueiro

16 de Junho de 2026 às 15:15

Investigações da Polícia Federal apontam a transferência de recursos de organização criminosa para a mãe e a irmã de Luiz Phillipi Mourão. A PF suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo ativos repassados por aliados de Daniel Vorcaro para quitar dívidas e capitalizar empresa de Joana Mourão

Investigações preliminares da Polícia Federal, encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e tornadas públicas nesta terça-feira (16), indicam a possível transferência de recursos de uma organização criminosa para a família de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário". O investigado, apontado como braço direito do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, morreu em março após ser preso. O foco da suspeita recai sobre a irmã de Mourão, Joana Mourão, e a mãe dele, Denise.

Mensagens interceptadas pela PF revelam que Joana Mourão pressionava interlocutores ligados à família Vorcaro por auxílio financeiro, alegando que a situação da família era insustentável. Em comunicações anteriores a um encontro presencial, ela detalhou a necessidade de quitar a prestação de sua residência e uma parcela de R$ 40 mil referente a um financiamento.

As negociações foram intermediadas por Manoel Mendes Rodrigues, apelidado de "Manolo", aliado de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro. Em diálogos com Keysom, primo de Daniel Vorcaro, "Manolo" discutiu a possibilidade de procurar Denise para mediar a situação. No dia 28 de abril, durante uma reunião com Joana e Denise, "Manolo" informou a Henrique Vorcaro sobre a transferência de ativos para o nome de Denise como solução para as demandas financeiras.

A relação entre as partes foi marcada por tensões. Após a divulgação da prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, Joana ameaçou expor informações da família Vorcaro à imprensa, fazendo referência direta a Henrique Vorcaro.

Cinco dias depois dessas ameaças, em 12 de maio, Joana questionou "Manolo" sobre a formalização de um contrato relativo à JM Consultoria e Participações Imobiliária Ltda. Registros da Receita Federal mostram que Joana é a sócia-administradora da empresa, que possui capital social de R$ 1 milhão, embora a PF não tenha confirmado a assinatura do documento.

Para a Polícia Federal, esse conjunto de movimentações sugere a prática de lavagem de dinheiro. A hipótese investigada é que valores obtidos por "Sicário" em decorrência de crimes cometidos a mando de Daniel Vorcaro estivessem sendo repassados à sua irmã e à sua mãe.

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