Justiça

PF investiga se aliados de Sóstenes Cavalcante forjaram escritura para justificar R$ 470 mil em espécie

01 de Julho de 2026 às 15:05

A Polícia Federal deflagrou a Operação Galho Fraco II para investigar o desvio de verbas parlamentares envolvendo o deputado Sóstenes Cavalcante. A ação apura a falsificação de uma escritura imobiliária para justificar R$ 470 mil apreendidos em Brasília. Agentes localizaram nova quantia em dinheiro no endereço de um advogado aliado do parlamentar

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a terceira fase da Operação Rent a Car, denominada Galho Fraco II. A ação visa aprofundar as investigações sobre um esquema de desvio de verbas de cotas parlamentares, tendo como alvos advogados e empresários ligados ao deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

O foco central desta etapa é apurar se aliados do parlamentar forjaram a escritura de compra e venda de um imóvel para justificar a origem de R$ 470 mil em espécie. Esse montante havia sido apreendido, em dezembro do ano passado, dentro de sacolas em um armário de um flat utilizado por Sóstenes em Brasília, durante a fase anterior da operação. Na ocasião, o deputado afirmou que o dinheiro era proveniente da venda de uma propriedade em Minas Gerais, alegando que não havia depositado os valores em conta bancária devido à rotina de trabalho.

Contudo, a Polícia Federal identificou contradições documentais. A escritura do imóvel foi lavrada apenas em 30 de dezembro de 2025, onze dias após a apreensão do dinheiro, embora o documento registre que o pagamento teria ocorrido em 24 de novembro. Para os investigadores, a defasagem entre as datas sugere que o papel foi produzido posteriormente para dar aparência de legalidade a uma transação inexistente.

A suspeita de fraude é reforçada por um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), que não detectou saques realizados pelo comprador, Thiago de Paula, em datas compatíveis com a compra, apesar de a escritura declarar que a quitação foi feita integralmente em dinheiro vivo.

A investigação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, aponta que parte de R$ 15 milhões movimentados por empresas pode ter origem em recursos públicos vinculados a Sóstenes. O esquema envolveria o uso de empresas de fachada, como uma locadora de veículos, para simular despesas e legalizar o desvio de verbas parlamentares.

Além do deputado, o parlamentar Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de buscas em dezembro, sob a mesma suspeita de desvio de cotas. Ambos negam irregularidades. Durante as diligências desta quarta-feira, agentes da PF localizaram nova quantia em dinheiro escondida dentro de um objeto decorativo que simulava um livro, no endereço de um advogado aliado de Sóstenes no Distrito Federal.

Questionado, o deputado Sóstenes Cavalcante afirmou que ainda não tinha conhecimento da decisão judicial e que se manifestará assim que for formalmente informado.

Notícias Relacionadas