Justiça

PF investiga se senador Jaques Wagner recebeu vantagens indevidas do Banco Master em troca de articulações

19 de Junho de 2026 às 06:06

A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero para investigar corrupção e fraudes bilionárias no Banco Master. A etapa apura se o senador Jaques Wagner recebeu vantagens indevidas, como um imóvel e viagens, em troca de articulações políticas. Agentes apreenderam US$ 49 mil em Brasília durante as diligências

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de apurar a existência de um esquema de corrupção e fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. A etapa atual, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foca na suspeita de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) tenha recebido vantagens indevidas em troca de articulações políticas no Congresso Nacional.

As investigações apontam que o parlamentar utilizou Augusto Ferreira Lima — ex-dono do Banco Pleno e aliado estratégico de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master — como canal de interlocução para tratar de interesses da instituição financeira. Entre as pautas discutidas estariam a "Emenda Master" (Emenda nº 11 à PEC 65/2023), que propunha alterações no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e a ampliação do limite de crédito consignado, setor onde o grupo atua fortemente via Credcesta.

No âmbito dos benefícios recebidos, a PF detalha a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, ainda em construção com entrega prevista para setembro de 2026. O imóvel teria sido comprado pela Epítome S.A. com recursos de fundos vinculados ao Banco Master, após Jaques Wagner enviar dados do empreendimento a Augusto Lima, que operacionalizou a compra por meio de Valério Marega Júnior.

A operação também revelou o uso de recursos para lazer e viagens. Foram identificados ingressos para o show da cantora Taylor Swift em São Paulo, em novembro de 2023, adquiridos por R$ 63.339 sob orientação de Augusto Lima para familiares do senador. Há ainda menções a uma apresentação da artista em Los Angeles, em agosto de 2023. Além disso, o banqueiro teria disponibilizado uma aeronave particular para transportar o senador e sua família entre Salvador e a Ilha da Paixão, em Candeias, propriedade de Lima, em outubro de 2023.

No campo financeiro, a Polícia Federal investiga o repasse de R$ 3,5 milhões da empresa PKL One Participações S.A., gerida por Andréa Lima Novaes, para a BN Financeira Ltda., empresa ligada à família de Jaques Wagner. A PF caracteriza a BN Financeira como uma microempresa de baixa capacidade operacional que recebeu valores expressivos via contratos com o Banco Master. Mensagens interceptadas mostram o enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, cobrando valores de Augusto Lima, que justificou a dificuldade financeira devido ao insucesso de uma operação entre o Banco Master e o BRB.

Durante as diligências desta quinta-feira, agentes apreenderam US$ 49 mil (aproximadamente R$ 250 mil) em um endereço em Brasília vinculado ao senador. Jaques Wagner negou ter relação com Daniel Vorcaro e afirmou que a quantia em espécie é proveniente de diárias pagas pelo Senado por viagens oficiais. O parlamentar informou ainda ter recebido um telefonema de solidariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a operação.

A Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025, investiga a emissão de títulos de investimento sem garantias pelo Banco Master, com prejuízos estimados em R$ 12 bilhões. A apuração foi expandida para crimes de lavagem de dinheiro, espionagem e corrupção, incluindo a análise de aportes do Banco de Brasília (BRB) na instituição. Outras autoridades, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), também são alvos da investigação. Todos os envolvidos negam irregularidades.

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