PF investiga se verbas de cinebiografia de Jair Bolsonaro custearam estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA
A Polícia Federal investiga se R$ 61 milhões transferidos por Daniel Vorcaro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro foram desviados para custear a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O senador Flávio Bolsonaro é monitorado no caso, enquanto Eduardo, Mário Frias e a produtora GOUP Entertainment negam as irregularidades. Dados do Coaf apontam que a Entre Investimentos intermediou repasses de R$ 159 milhões de fundos do banqueiro
A Polícia Federal investiga se recursos transferidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foram desviados para custear a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos, onde reside desde fevereiro do ano passado. O foco da apuração é determinar se as verbas, oficialmente destinadas à produção do filme "Dark Horse" — cinebiografia de Jair Bolsonaro com estreia prevista para setembro no Brasil —, teriam sido utilizadas para finalidades distintas do projeto audiovisual.
A investigação busca esclarecer se o montante foi efetivamente aplicado na obra, se houve desvio de finalidade ou se o discurso da produção cinematográfica serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, é monitorado nos bastidores do caso para se entender seu papel nas negociações e o destino final do dinheiro. Em declaração, Flávio afirmou que Vorcaro repassou R$ 61 milhões a um fundo administrado nos Estados Unidos pelo advogado de Eduardo Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro negou ter recebido dinheiro do fundo de investimento, argumentando que seu status migratório nos Estados Unidos impediria tal transação, sob risco de punição do governo americano. O ex-deputado justificou que apenas apresentou o advogado ao produtor executivo do filme, o deputado Mário Frias (PL-SP), devido à competência do profissional.
Contudo, dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que a empresa Entre Investimentos intermediou repasses de Vorcaro para a obra. A referida empresa recebeu R$ 159 milhões de fundos ligados ao banqueiro que estão sob investigação da Polícia Federal.
A suspeita de irregularidades ganhou força após a divulgação de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, nas quais o senador cobra verbas prometidas para o financiamento de "Dark Horse". Em contrapartida, o deputado Mário Frias e a produtora GOUP Entertainment negaram, via nota, que a cinebiografia tenha recebido recursos do banqueiro.