Justiça

PF investiga transferência de 8,5 milhões de reais do Instituto Conhecer Brasil para empresa suspeita

10 de Setembro de 2026 às 15:34 2 min de leitura

A Polícia Federal investiga o desvio de recursos públicos via transferências de R$ 8,5 milhões do Instituto Conhecer Brasil para a empresa Ultra IP. A operação incluiu mandados de busca contra Karina Ferreira da Gama, presidente do instituto. A PF aponta que a empresa redistribuía verbas para ocultar a origem do dinheiro

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PF investiga transferência de 8,5 milhões de reais do Instituto Conhecer Brasil para empresa suspeita
Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Federal identificou a movimentação de R$ 8,5 milhões transferidos pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a empresa Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda. A operação, que integra a investigação do caso Dark Horse, aponta que a Ultra IP funcionava como um centro de redistribuição de verbas para ocultar a origem de supostos desvios de recursos públicos.

O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, que também comanda a produtora Go Up, responsável pela cinebiografia de Jair Bolsonaro, Dark Horse. Na manhã desta quinta-feira (10), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra Karina. O instituto fundado por ela mantém contrato com a Prefeitura de São Paulo.

Fluxo financeiro e a rede de "laranjas"

De acordo com um Relatório de Inteligência Financeira, a conta da Ultra IP — anteriormente denominada William Silva Ferreira Representações — foi aberta em 25 de julho de 2024. Em menos de três meses, entre julho e outubro do mesmo ano, a empresa registrou uma movimentação bruta de R$ 31,6 milhões, dividida igualmente entre créditos e débitos de R$ 15,8 milhões.

O ICB foi o principal remetente desse fluxo, realizando oito transferências que totalizaram R$ 8.554.301,14. A PF investiga que a Ultra IP servia para fragmentar esses valores e enviá-los a outros integrantes de uma rede financeira composta por pessoas físicas e jurídicas interpostas.

Destinatários e incompatibilidade financeira

A investigação detalha repasses para empresas cujos proprietários possuíam renda incompatível com os volumes recebidos:

  • ABC Logísticas e Serviços Ltda: recebeu R$ 1.075.586. A única sócia, Nayara Bianca Silva de Souza, atuava como cuidadora de idosos, com salário médio de R$ 1.815 e era beneficiária do Novo Bolsa Família.
  • Fastsoftsolution Mídia Desenvolvimento e Publicidade Ltda: recebeu R$ 627.482,25. O único sócio, Anderson Souza Mendes, tinha como última ocupação formal a de servente de obras, com remuneração entre um e dois salários mínimos.

Além dessas transferências, a Ultra IP enviou R$ 1.336.201,50 para a Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade presidida por Karina Gama.

A Polícia Federal sustenta que, entre 2024 e 2026, o grupo utilizou esse circuito fechado para dissimular a titularidade e a localização de verbas federais, utilizando empresas como instrumentos de circulação e ocultação de valores.

Com informações de G1

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