PF pericia materiais para apurar desvio de verbas públicas no financiamento de filme sobre Bolsonaro
A Polícia Federal pericia materiais da Operação Wi-Fi por ordem do STF para apurar desvios de verbas públicas para o filme Dark Horse. A investigação aponta que R$ 26 milhões do programa WiFi Livre SP foram pagos por serviços não realizados. O senador Flávio Bolsonaro também é investigado por lavagem de dinheiro e corrupção no financiamento da obra
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A Polícia Federal (PF) iniciou a perícia integral de materiais apreendidos durante a Operação Wi-Fi, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. A medida cumpre determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a análise de computadores, celulares e documentos transferidos para Brasília no final de agosto.
A decisão, proferida em 13 de setembro, levantou o sigilo do inquérito que apura o possível desvio de verbas públicas para financiar a produção do filme Dark Horse, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os peritos federais estão reexaminando itens já analisados pelo Instituto de Criminalística de São Paulo e processando materiais que não haviam sido periciados no estado, como o aparelho celular de Karina Ferreira da Gama.
Esquema de desvios e confusão patrimonial
Karina da Gama é a proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, e preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Ambas as entidades estão no centro das investigações por suspeita de confusão patrimonial e uso indevido de recursos públicos.
O ICB mantém um contrato anual de R$ 108 milhões com a prefeitura de São Paulo para a instalação de redes de wi-fi em áreas periféricas da capital. No entanto, um relatório da Polícia Civil de São Paulo aponta "consistentes suspeitas" de que verbas do programa WiFi Livre SP tenham sido desviadas para custear a produção cinematográfica.
Irregularidades contratuais e prejuízo ao erário
A investigação detalha falhas graves no processo de seleção e disparidade de custos no contrato firmado com o ICB. Enquanto a empresa municipal Prodam cobrava R$ 230 para a implantação de cada ponto de internet e R$ 306 para a manutenção mensal, o acordo com o instituto estabeleceu o valor de R$ 1.800 por ponto.
O Tribunal de Contas de São Paulo identificou ao menos vinte irregularidades graves no edital público. Com base em balanços financeiros, a Polícia Civil constatou que:
- O município deveria ter pago aproximadamente R$ 43 milhões pelos serviços efetivamente prestados;
- Foram transferidos R$ 69 milhões;
- Há uma diferença de R$ 26 milhões pagos por serviços não realizados.
Investigação contra Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro também é alvo de inquérito da Polícia Federal para apurar crimes relacionados ao financiamento de Dark Horse. O procedimento foi autorizado em julho pelo ministro André Mendonça, do STF, após solicitação da PF.
A investigação, que teve o sigilo levantado a pedido do ministro Edson Fachin, apura a possível prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. As suspeitas envolvem a conduta do senador no contexto do financiamento da obra junto a Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master.