PF prende pai de banqueiro em operação contra organização criminosa de vigilância e corrupção
A Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro na sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes como lavagem de dinheiro e corrupção. A ação visa desmantelar núcleos de vigilância clandestina e corrupção envolvendo ex-servidores do Banco Central e do próprio órgão policial. O esquema utilizava consultorias e empresas para mascarar repasses financeiros e obstruir fiscalizações sobre o Banco Master
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A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (14), a sexta fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro. A ação concentra-se no desmantelamento de núcleos operacionais conhecidos como "A Turma" e "Os Meninos", estruturas que funcionavam como um braço armado de uma organização criminosa para realizar vigilância clandestina, coerção, intimidação e invasão de dispositivos informáticos.
A investigação aponta que "A Turma" era coordenada por Luiz Phillipi Mourão, descrito como o sicário de Vorcaro e líder operacional do esquema. Mourão era responsável por executar ordens de monitoramento, extrair dados de sistemas sigilosos e promover intimidações físicas e morais. Mensagens interceptadas revelam que Mourão recebia pagamentos mensais e distribuía os valores entre os integrantes do grupo, que incluía também "Os Meninos", "DCM" e "editores", evidenciando uma divisão rigorosa de funções.
Entre os membros da estrutura de vigilância, a PF identificou a participação de um policial federal aposentado, que teria utilizado sua experiência e rede de contatos na corporação para obter informações sigilosas e monitorar alvos definidos pela organização. O objetivo dessas ações era proteger interesses financeiros e obstruir o avanço de apurações sobre o esquema ligado ao Banco Master.
Paralelamente ao núcleo operacional, a operação identificou um braço de corrupção e apoio destinado a conferir legalidade aos repasses financeiros. Nesse grupo, destacam-se Paulo Sérgio e Belline Santana, ambos ex-servidores do Banco Central. Paulo Sérgio, ex-diretor de fiscalização, atuava como consultor informal de Vorcaro, antecipando informações sobre fiscalizações da autarquia e revisando documentos do Banco Master antes da entrega ao órgão regulador.
Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, também prestava consultoria estratégica e realizava reuniões externas com o banqueiro para tratar de temas sensíveis, evitando registros escritos. Para viabilizar os pagamentos a Santana, foi utilizada a Varajo Consultoria, administrada por Zettel, que formalizava contratos fictícios — como um suposto estudo sobre a inserção de jovens no mercado financeiro — para mascarar a natureza ilícita dos repasses.
A movimentação financeira do grupo também envolvia a empresa Super Empreendimentos, representada por sua sócia, que operava as transferências destinadas a sustentar as atividades da organização. As suspeitas apuradas pela Polícia Federal abrangem crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, violação de sigilo funcional, ameaça e invasão de dispositivos informáticos.