PGR decidirá sobre proposta de delação de banqueiro após rejeição da Polícia Federal
A PGR decidirá sobre a segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, após a Polícia Federal rejeitar o acordo. O banqueiro é acusado de liderar fraudes financeiras de R$ 12 bilhões e poderá deixar a Superintendência da PF
A Procuradoria-Geral da República (PGR) deverá decidir sobre a aceitação da segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e definir se ele permanecerá ou não na Superintendência da Polícia Federal. A Polícia Federal já comunicou ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a rejeição deste novo acordo.
Vorcaro é acusado de liderar um esquema de fraudes financeiras que pode somar R$ 12 bilhões. Esta é a segunda tentativa de acordo negada pela PF, que no mês passado já havia rejeitado uma versão anterior. O impasse ocorre porque os investigadores consideram que as informações trazidas pela defesa agregam pouco ao que já foi apurado e sugerem que o banqueiro tenta proteger pessoas próximas.
Apesar da negativa atual, a legislação permite que as negociações continuem, possibilitando que a defesa ajuste termos e apresente novas provas. O acordo é discutido conjuntamente entre a PF e a PGR.
A permanência de Vorcaro na Superintendência da PF em Brasília, para onde foi transferido no mês passado a pedido da corporação, está sob revisão. A PF argumenta que a manutenção do banqueiro no local não se justifica mais, dado que a proposta de delação não avançou. Caso a transferência seja revertida, ele poderá retornar à Penitenciária Federal de Brasília ou ser levado para a unidade conhecida como "Papudinha", onde estão detidos condenados por tentativa de golpe de Estado. A decisão final considerará critérios de segurança.
Anteriormente, Vorcaro ocupava uma sala de Estado-maior na Superintendência — espaço utilizado entre novembro de 2025 e janeiro deste ano para a detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro — antes de ser movido para uma cela comum, sujeita às normas internas de visitas advocatícias. A mudança para a Superintendência ocorreu em 19 de março, após a assinatura de um termo de confidencialidade, etapa inicial para a discussão de acordos de colaboração.
As investigações avançaram com a apreensão de mais de oito celulares do banqueiro. A perícia preliminar desses aparelhos indicou que a atividade criminosa extrapola as fraudes financeiras, abrangendo corrupção, organização criminosa e a utilização de uma milícia privada para obtenção de dados sigilosos e ataques a adversários.