PGR submete ao STF proposta de colaboração premiada de empresário investigado por financiar cinebiografia de Bolsonaro
A PGR solicitou ao STF a homologação da colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, investigado por intermediar verbas para a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O empresário é suspeito de movimentar R$ 159,2 milhões via Entre Investimentos, com recursos vinculados a fraudes no Banco Master e lavagem de dinheiro
A Procuradoria-Geral da República (PGR) submeteu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a proposta de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, proprietário da Entre Investimentos e Participações. O empresário, conhecido como "Mineiro", é investigado por utilizar sua empresa como intermediária no repasse de verbas para a produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com as investigações, Freixo Júnior também teria atuado na captação de moeda para viabilizar pagamentos em espécie. O pedido de homologação foi encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo, que ainda não definiu um prazo para a decisão.
Fluxo financeiro e a Operação Compliance Zero
A Entre Investimentos integra o grupo Entrepay, instituição liquidada pelo Banco Central em março deste ano devido a irregularidades normativas, prejuízos que expunham credores a riscos anormais e comprometimento financeiro.
Relatórios de inteligência financeira do Coaf indicam que a empresa recebeu R$ 159,2 milhões de fundos sob investigação da Polícia Federal por fraude no Banco Master. O montante foi distribuído da seguinte forma:
- R$ 139,2 milhões: Repassados pela Sefer Investimentos, alvo da segunda fase da operação Compliance Zero por vínculos com Daniel Vorcaro.
- R$ 20 milhões: Provenientes do fundo Gold Style, gerido pela Reag. Este fundo é apontado pela Polícia Federal como parte de um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor financeiro, movimentando quase R$ 1 bilhão.
Financiamento da cinebiografia
O esquema de pagamento para o filme Dark Horse envolvia o Havengate Development Fund, com sede no Texas, que administrava os recursos e os transferia para a produtora Go Up Entertainment. Entre os administradores do fundo estava Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
Embora o acordo total previsse R$ 124 milhões — com R$ 61 milhões pagos pelo proprietário do Banco Master —, ainda não foi detalhado quanto dos R$ 159,2 milhões recebidos pela Entre Investimentos foi destinado à obra.
Dados do Coaf e inquéritos da Polícia Federal revelam que, em setembro de 2025, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro efetuou um repasse adicional de US$ 1,6 milhão para a produção. O pagamento ocorreu dias após o senador Flávio Bolsonaro cobrar parcelas em atraso.
Acordos simultâneos
A proposta de Freixo Júnior foi assinada na mesma data em que João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, também firmou acordo de delação com a PGR. Ambos os casos estão inseridos nas investigações do caso Master.