Justiça

Polícia Civil desarticula esquema de lavagem de dinheiro que movimentou 11 milhões de reais no Rio

05 de Agosto de 2026 às 06:03

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a Operação Quimera para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado. A ação identificou a movimentação de mais de R$ 11 milhões por meio de um clube recreativo e uma pousada. As autoridades solicitaram a quebra de sigilo bancário, fiscal e o bloqueio de bens dos envolvidos

Polícia Civil desarticula esquema de lavagem de dinheiro que movimentou 11 milhões de reais no Rio
© TÂNIA RÊGO/ARQUIVO/AGÊNCIA BRASIL

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério Público estadual, deflagrou nesta terça-feira (4) a Operação Quimera. A ação desarticula uma estrutura de lavagem de dinheiro do crime organizado que movimentou mais de R$ 11 milhões, utilizando como fachada um clube recreativo e uma pousada.

Esquema de controle e extorsão

A investigação teve origem após denúncias de dirigentes do Clube Social Marabu, no bairro do Encantado. Os administradores relataram ameaças para que abandonassem a gestão da entidade e entregassem o controle a indivíduos ligados ao tráfico. A liderança do Comando Vermelho, baseada no Morro do Dezoito, exigia ainda o pagamento mensal de R$ 6 mil para que o estabelecimento pudesse operar sem represálias.

A partir de diligências da Delegacia de Nova Iguaçu, a polícia identificou um modelo semelhante no Várzea Country Club, localizado no bairro da Água Santa, zona norte do Rio. A instituição, fundada há mais de seis décadas, tornou-se o alvo principal da operação. Investigações revelaram que pessoas de confiança da organização criminosa assumiram a administração informal do clube, controlando decisões internas, eventos e fluxos financeiros, apesar de não possuírem vínculo jurídico ou estatutário com a entidade.

Gestão financeira e movimentações atípicas

A operação identificou um núcleo familiar responsável por operar a gestão financeira paralela do clube. Entre os envolvidos, um operador financeiro e uma administradora atuavam no esquema. Um terceiro integrante, sem atividade empresarial formal, movimentou R$ 2,4 milhões em um semestre.

Outros alvos apresentaram incompatibilidades financeiras gritantes:

  • Uma investigada que declarava renda de R$ 3,2 mil como recepcionista movimentou R$ 2,2 milhões em seis meses, recebendo R$ 253 mil de um dos envolvidos em seis transferências.
  • Um homem com histórico em cerca de 20 procedimentos policiais, incluindo roubo de carga, realizou 40 transferências via Pix que somaram R$ 240 mil.

Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf apontaram a circulação intensa de recursos entre empresas, pessoas físicas e familiares, utilizando depósitos em espécie, transferências e operações fracionadas via Pix para ocultar a origem do capital.

Lavagem de capitais em Búzios

A Pousada Menino do Rio, em Armação de Búzios, também foi apontada como instrumento para reinserir recursos do tráfico na economia formal. O estabelecimento, que possui 16 quartos e cinco funcionários, com diárias médias de R$ 540 na alta temporada, movimentou R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses. Nesse período, a pousada registrou mais de 600 depósitos em espécie, totalizando aproximadamente R$ 955 mil.

Diante das evidências de pulverização de recursos e ocultação patrimonial, as autoridades requereram à Justiça a quebra de sigilo bancário e fiscal, o bloqueio de ativos financeiros, a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, além de restrições sobre veículos e participações societárias dos investigados.

Com informações de Agência Brasil

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