Justiça

Polícia Civil desarticula organização criminosa que produzia e comercializava anabolizantes falsificados no Brasil

17 de Agosto de 2026 às 12:02

A Polícia Civil desarticulou organização criminosa de anabolizantes falsificados com laboratórios em São Paulo, Brasília e João Pessoa. O grupo, liderado por Roberto Carlos Pereira de Carvalho, utilizava a internet e um restaurante para vendas e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 32 milhões e seis pessoas foram presas em Foz do Iguaçu

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A Polícia Civil desarticulou uma organização criminosa especializada na produção e comercialização de anabolizantes falsificados, com operações que se estendiam da fronteira com o Paraguai a diversos estados brasileiros. O grupo operava por meio de laboratórios clandestinos, redes de distribuição digital e esquemas de lavagem de dinheiro.

Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como "Jiraiya", é apontado como um dos líderes da estrutura. De acordo com as investigações, ele iniciou a atividade em laboratórios clandestinos e expandiu a operação para outras regiões antes de ser localizado em Cidade do Leste, no Paraguai.

Logística e Produção Clandestina

O fluxo de insumos começava em uma loja em Cidade do Leste, onde a matéria-prima era escondida em peças de motocicleta para atravessar a fronteira. Após a entrada no Brasil, o material era processado em Foz do Iguaçu e enviado para laboratórios clandestinos mantidos por Jiraiya em São Paulo, Brasília e João Pessoa.

A precariedade da fabricação foi evidenciada por mensagens recuperadas de um aparelho celular, que revelaram o uso de fogões e panelas para a preparação das substâncias. A polícia destacou que, em casos de erro na mistura, o material retornava ao fogo para ser dissolvido, elevando o risco de contaminação para manipuladores e consumidores.

Além de hormônios, a organização produzia itens para emagrecimento, incluindo o uso de clembuterol — medicamento de uso veterinário —, sem a devida sinalização de riscos ou dosagens adequadas nos rótulos.

Distribuição e Lavagem de Dinheiro

A venda dos produtos ocorria prioritariamente via internet. Uma influenciadora fitness, Ana Luiza, utilizava redes sociais para promover suplementos hormonais e termogênicos, atribuindo seus resultados físicos ao uso dos produtos fabricados ilegalmente. A distribuição também alcançava clínicas de estética e lojas de suplementos.

Para mascarar a origem do dinheiro e facilitar a logística no Distrito Federal, o grupo utilizava um restaurante localizado a 25 quilômetros do centro de Brasília, mantido por Ana Luiza e Allan Manuel. O estabelecimento servia como ponto de retirada para clientes e utilizava sua rede de motoboys para a entrega dos produtos.

Movimentação Financeira e Prisões

A escala financeira do esquema era expressiva. Relatos de um dos sócios indicam que as vendas diárias de Jiraiya variavam entre R$ 4 mil (em dias de baixa demanda) e R$ 15 mil. Diante disso, a Justiça determinou o bloqueio inicial de R$ 32 milhões de contas dos investigados, incluindo pedidos específicos de R$ 6 milhões para Roberto Carlos e R$ 5 milhões para o casal Ana Luiza e Allan Manuel.

Em Foz do Iguaçu, seis pessoas foram presas, incluindo a gerente da loja fornecedora de insumos; o proprietário do local permanece foragido. Outros envolvidos, como André Luiz de Amorim Junqueira, que atuaria na falsificação há 13 anos, e Carlos Henrique Rodrigues de Abreu, também foram identificados.

Riscos à Saúde e Implicações Legais

A investigação registrou casos de consumidores que apresentaram problemas de saúde após utilizarem os produtos. A polícia alertou que a falta de controle de dosagem e a composição desconhecida das substâncias, mascaradas por rótulos que simulavam confiabilidade internacional, podem causar consequências graves.

Os envolvidos respondem por:

  • Tráfico de drogas;
  • Organização criminosa;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Falsificação de produto medicinal.

As penas somadas podem ultrapassar 40 anos de reclusão. A defesa de Carlos Henrique Rodrigues de Abreu declarou que ele é empresário de suplementos e provará a legalidade de suas atividades. A defesa de André Luiz de Amorim Junqueira informou que os fatos serão esclarecidos oportunamente. Não houve retorno das defesas de Roberto Carlos, Allan Manuel e Ana Luiza.

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