População carcerária brasileira deve atingir a marca de 1 milhão de pessoas em 2027
A população carcerária brasileira deve chegar a 1 milhão de pessoas em 2027, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2025, o país registrou 964.668 detentos para 679.763 vagas, com 69,6% de pessoas negras e um recorde de 57.222 mulheres presas
A população carcerária brasileira deve atingir a marca de 1 milhão de pessoas em 2027. A projeção baseia-se nos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e considera que um crescimento médio de 2% entre este ano e 2027 seria suficiente para alcançar esse patamar.
Em 2025, o Brasil registrou 964.668 detentos, somando indivíduos em delegacias e penitenciárias, o que representa uma alta de 6% em relação ao ano anterior. A tendência de expansão é histórica: na última década, o aumento médio anual foi de 3,3%, e entre 2000 e 2025 a população privada de liberdade saltou 314,5%. No recorte entre 2016 e 2025, o volume de presos subiu de 722.120 para o número atual.
Déficit de vagas e superlotação
O crescimento do número de detentos ocorre em paralelo a um sistema com infraestrutura insuficiente. No último ano, o país dispunha de 679.763 vagas, gerando um déficit de 281.213 postos. David Marques, gerente de programas do FBSP, afirma que a política criminal brasileira é marcada por esse crescimento contínuo em um sistema sem vagas adequadas, o que compromete a oferta de direitos, garantias e a própria reintegração social.
A superlotação é agravada pela lentidão do Judiciário, já que cerca de 25% dos presos no Brasil ainda aguardam julgamento, evidenciando a disparidade entre a capacidade de prender e a de julgar em tempo hábil.
Perfil demográfico e desigualdades
A população prisional é composta majoritariamente por homens (94%), mas o número de mulheres encarceradas atingiu o recorde de 57.222 em 2025, o maior índice desde 2016. Em dez anos, o crescimento da população feminina (43,7%) superou o dos homens (36,4%), demandando políticas específicas para um sistema estruturado para o público masculino.
A desigualdade racial também é evidente nos dados de 2025:
- Negras: 69,6% (maior percentual da série histórica);
- Brancas: 29,2% (menor índice registrado);
- Amarelas: 0,9%;
- Indígenas: 0,3%.
Mortalidade e saúde no cárcere
Houve um aumento drástico nas mortes dentro das unidades prisionais. Entre 2016 e 2025, o total de óbitos subiu 241%, somando 23.942 mortes. Apenas em 2025, foram registrados 3.318 óbitos, o recorde da série.
As causas mais comuns são problemas de saúde e causas naturais, o que aponta falhas no atendimento ambulatorial, hospitalar e na prevenção de doenças. Outro dado crítico é a alta de 1.422% nas mortes por causas desconhecidas entre 2016 e 2025, revelando fragilidades nas investigações desses casos.
Acessibilidade e reintegração
O sistema também apresenta falhas graves na inclusão de pessoas com deficiência. Em 2025, esse grupo somava 10.218 detentos, superando os 9.799 do ano anterior. No entanto, a infraestrutura é precária: quase 70% dos 1.532 estabelecimentos prisionais não possuem celas ou módulos adaptados; apenas 14,7% estão totalmente adequados às normas brasileiras de acessibilidade.
Quanto à ressocialização, a laborterapia — atividade ocupacional para reabilitação — teve um crescimento de 13,2% na participação em relação a 2024. Apesar disso, apenas 21,6% da população prisional estava inserida nessas atividades em 2025.