Justiça

Psiquiatra afirma que Jairinho apresenta traços de perversidade e sente prazer em causar sofrimento infantil

27 de Maio de 2026 às 15:01

O psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro afirmou em depoimento no julgamento da morte de Henry Borel que Jairo Souza Santos Júnior apresenta traços de perversidade e padrão de tortura contra crianças. O médico, contratado pela assistência de acusação, relatou casos de violência contra filhos de ex-companheiras do réu e a falta de instinto de preservação de Monique Medeiros

Psiquiatra afirma que Jairinho apresenta traços de perversidade e sente prazer em causar sofrimento infantil
© TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL

O psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro, ouvido na quarta-feira (27) durante o terceiro dia de julgamento da morte de Henry Borel, afirmou que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, apresenta traços de perversidade e sente prazer em causar sofrimento a crianças pequenas. O médico, formado pela USP, foi contratado por Leniel Borel, pai da vítima e assistente de acusação, para elaborar o perfil psicológico dos réus, sendo chamado ao júri pela promotoria.

Para a construção do perfil, Bernardon Ribeiro baseou-se em depoimentos, entrevistas e conversas com pessoas próximas aos acusados, sem contato direto com eles. O profissional relatou casos de violência contra crianças de outras mulheres que mantiveram relacionamentos com Jairinho. Entre os relatos, Natasha de Oliveira Machado, ex-companheira do réu, mencionou que sua filha, então com pouco mais de 3 anos, teve o braço torcido por ele e foi coagida a dizer que o ferimento ocorreu em uma aula de jiu-jitsu, além de ter sido submetida a um afundamento em piscina. Outro caso citado envolveu o filho de Débora Mello Saraiva, que sofreu pisoteios, teve a cabeça encoberta e apresentou uma fratura no fêmur. O psiquiatra classificou tais eventos como um padrão de repetição de tortura direcionado a crianças.

Sobre a corré Monique Medeiros, mãe de Henry, o médico afirmou que ela não demonstrou instinto de preservação do filho ao ser informada sobre as agressões. A investigação policial indica que Monique tinha conhecimento da violência.

A defesa de Jairinho, representada pelo advogado Rodrigo Faucz, criticou o testemunho, alegando que o médico violou diretrizes éticas ao se manifestar sobre pessoas não entrevistadas e que a juíza teria proibido a oitiva do profissional em primeira fase. Paralelamente, a defesa de Monique Medeiros solicitou a impugnação do depoimento pelos mesmos motivos, porém o pedido foi negado pela juíza Elizabeth Machado Louro.

O processo, que envolve 27 testemunhas e deve durar cerca de cinco dias, é decidido por sete jurados. Jairinho responde por homicídio qualificado por meio cruel, três torturas contra criança, fraude processual e coação no curso do processo. Monique é ré em sete crimes, incluindo homicídio, tortura, fraude processual e coação.

No cronograma de depoimentos, a médica Maria Cristina de Souza Azevedo, do Hospital Barra D'Or, deve ser ouvida após relatos do delegado Henrique Damasceno de que Jairinho tentou liberar o corpo da criança sem a realização de perícia. Também estão previstos os depoimentos dos legistas Luiz Airton Saavedra e Luiz Carlos Leal Prestes.

Anteriormente, os delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros testemunharam que a tese inicial dos réus — de que Henry teria morrido após cair da cama — era uma farsa ensaiada. A confirmação de que a mãe sabia das agressões foi obtida por meio de mensagens recuperadas do aparelho celular da babá da criança, Thayná de Oliveira Ferreira.

Com informações de Agência Brasil

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