Senador Jaques Wagner é alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de corrupção
O senador Jaques Wagner é alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero por suspeita de receber vantagens indevidas do Banco Master em troca de atuação política. A Polícia Federal investiga a aquisição de um imóvel, uso de aeronave, ingressos de shows e transferências financeiras para empresa da família do parlamentar. Foram apreendidos US$ 49 mil em Brasília, valor que o senador justifica como proveniente de diárias do Senado
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O senador Jaques Wagner (PT-BA) tornou-se alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18) por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal (PF) investiga a suspeita de que o parlamentar tenha recebido vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso Nacional para favorecer interesses do Banco Master.
A investigação aponta que Wagner teria mantido proximidade com Augusto Lima, dono do Banco Pleno e aliado de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master e atualmente preso. Entre os benefícios citados pela PF estão a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, via empresa Epítome S.A. com recursos de fundos do Master, e a disponibilização de uma aeronave particular para transportar o senador e familiares até a Ilha da Paixão, em Candeias, propriedade de Lima.
A PF também detalha o recebimento de ingressos para a turnê "The Eras Tour", da cantora Taylor Swift, em São Paulo, em novembro de 2023, custando R$ 63.339 e destinados a parentes do senador, além de menções a um show da artista em Los Angeles. No campo financeiro, a operação identificou a transferência de R$ 3,5 milhões da empresa PKL One Participações S.A. para a BN Financeira Ltda., companhia ligada à família de Wagner. A PF descreve a BN Financeira como uma microempresa com baixa capacidade operacional, mas que recebeu montantes expressivos do grupo Master.
Durante a operação, foram apreendidos US$ 49 mil (cerca de R$ 250 mil) em um endereço de Wagner em Brasília. O senador negou qualquer relação com Daniel Vorcaro e justificou que o dinheiro em espécie provém de diárias pagas pelo Senado por viagens internacionais, alegando ter recebido aproximadamente US$ 70 mil desde 2019. Wagner informou ainda ter recebido um telefonema de solidariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O foco da PF é verificar se o parlamentar atuou em favor de projetos como a "Emenda Master" (Emenda nº 11 à PEC 65/2023), que propunha alterações no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e em propostas para ampliar o limite do crédito consignado, setor onde o grupo de Vorcaro e Lima opera via Credcesta.
Paralelamente, o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, manifestou-se a favor da investigação, defendendo que a lei deve ser aplicada a todos, inclusive a aliados. Haddad elogiou a independência da Polícia Federal na atual gestão, contrastando-a com o governo de Jair Bolsonaro, a quem acusou de interferir na corporação para proteger familiares. O petista questionou ainda a necessidade de R$ 134 milhões para a produção de um filme sobre a vida de Bolsonaro, citando que o valor seria desproporcional e que Flávio Bolsonaro deveria prestar esclarecimentos sobre doações de Daniel Vorcaro para a obra.
A Operação Compliance Zero apura um esquema de fraudes financeiras no Banco Master, iniciado com a emissão de títulos sem garantias, com prejuízo estimado em R$ 12 bilhões. A investigação, que já soma nove fases, abrange lavagem de dinheiro, corrupção e aportes do Banco de Brasília (BRB). Além de Jaques Wagner, a operação já atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), ambos negando irregularidades.