Justiça

Sócio da GO UP condiciona entrega de documentos nos Estados Unidos a pedidos via cooperação jurídica

12 de Setembro de 2026 às 09:40 3 min de leitura

Michael Davis, sócio da GO UP Entertainment, condicionou a entrega de documentos nos Estados Unidos a pedidos via cooperação jurídica internacional. A Polícia Federal busca dados sobre o financiamento do filme "Dark Horse", alvo de inquéritos no STF por suspeitas de desvio de emendas e repasses irregulares. As investigações envolvem Flávio Bolsonaro e o deputado Mario Frias

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Sócio majoritário da GO UP Entertainment LLC, Michael Davis, condicionou a entrega de documentos da empresa armazenados nos Estados Unidos à formalização de pedidos via canais de cooperação jurídica internacional. A negativa de envio direto ocorreu após a produtora Karina Ferreira da Gama receber um ofício da Polícia Federal solicitando informações para investigações em curso.

Em mensagem enviada no dia 2 de setembro de 2026, Davis afirmou que qualquer disponibilização de dados sob jurisdição americana deve ocorrer exclusivamente mediante ordem de um juiz norte-americano, utilizando instrumentos como cartas rogatórias ou pedidos de assistência judiciária mútua. A medida visa garantir o amparo legal e o direito ao contraditório da empresa.

Investigações no STF

O financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada "Dark Horse", é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF):

  • Relatoria do ministro André Mendonça: Apura a origem, o montante e o destino final de repasses feitos por Daniel Vorcaro. Há suspeitas de que parte dos recursos não tenha sido aplicada na produção do filme. Este inquérito inclui Flávio Bolsonaro na lista de investigados.
  • Relatoria do ministro Flávio Dino: Investiga a possibilidade de a produtora Go Up Entertainment ter utilizado emendas parlamentares para custear a obra.

A Polícia Federal busca obter documentos societários, notas fiscais, comprovantes de pagamento, instrumentos de câmbio e contratos para identificar o trânsito de valores e os beneficiários finais da operação.

Operações e desvios suspeitos

No dia 10 de outubro, a PF realizou operação com mandados de busca e apreensão contra suspeitos de desvio de emendas parlamentares, incluindo o deputado federal Mario Frias (PL-RJ).

Além disso, um inquérito originalmente conduzido pela Polícia Civil de São Paulo foi transferido para a relatoria do ministro Flávio Dino. A investigação apura um contrato de R$ 108 milhões entre a prefeitura paulistana e uma ONG de Karina da Gama para a instalação de pontos de wi-fi em periferias, obra que não teria sido integralmente cumprida, com suspeitas de desvio de verbas.

Fluxo financeiro da produção

A controvérsia sobre o filme "Dark Horse" tornou-se pública após a divulgação de diálogos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nas conversas, o filho do ex-presidente solicitava recursos e pressionava por pagamentos para a produção.

Os valores envolvidos na operação apresentam divergências:

  • Flávio Bolsonaro teria negociado o repasse de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na época).
  • Daniel Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões ao filme por meio de um fundo nos Estados Unidos.
  • A produtora declara ter gasto R$ 75,1 milhões na obra.

Questionada, Karina Ferreira da Gama afirmou que a empresa pretende colaborar com as autoridades, mas que o produtor norte-americano solicitou a observância do caminho diplomático para a entrega dos documentos.

Com informações de G1

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