Justiça

STF restringe acesso a dados de celular de ex-banqueiro do Banco Master

19 de Setembro de 2026 às 07:11 3 min de leitura

Gabinetes do STF restringiram o acesso a dados do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. A medida ocorre enquanto a Polícia Federal revisa relatórios e ministros divergem sobre a disponibilização integral do material. O conteúdo envolve acusações de favorecimento ao banco, negadas pelo ministro Alexandre de Moraes

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Gabinetes do Supremo Tribunal Federal (STF) restringiram o acesso à análise de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. A medida ocorre após a entrega de cópias do material, desencadeando uma varredura que busca identificar fatos relevantes e possíveis lacunas, além de revisar o recorte utilizado pela Polícia Federal (PF) na elaboração de relatórios.

A apuração interna, que não possui prazo definido para conclusão, analisa pastas compostas por logs, áudios e conversas. O processo de triagem prioriza a preservação de informações pessoais e a proteção de dados relativos a investigações ainda não deflagradas ou que possam originar novas frentes judiciais.

Metodologia de extração e custódia

Para a organização do acervo digital, a PF utilizou o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), software que permite a estruturação de arquivos e a busca por palavras-chave. A ferramenta gera um código de verificação para garantir que o material não tenha sido alterado.

A perícia policial empregou softwares especializados para a recuperação de fragmentos de dados, acesso a conteúdos protegidos por senha ou apagados, e o rastreamento de envios de arquivos e mensagens. Em nota, a PF assegurou que as cópias fornecidas são idênticas à extração original, a qual permanece sob custódia formal da instituição, com lacres íntegros.

Conflitos internos no STF

A disponibilização dos dados aconteceu em um cenário de disputa entre ministros pelo acesso total ao espelhamento do aparelho, coincidindo com a proximidade de uma sessão sobre a abertura de apuração contra o ministro Alexandre de Moraes.

Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram ao presidente da Corte, Edson Fachin, o acesso integral ao material. O relator do caso, André Mendonça, manifestou-se contra a divulgação, argumentando que a medida causaria tumulto no julgamento. Apesar da ausência de uma decisão final de Fachin, Zanin, Mendes e Moraes determinaram que a PF enviasse as cópias. Mendonça declarou que a mídia recebida era uma contraprova criptografada e lacrada, a qual não teria sido manuseada.

Implicações e acusações

O conteúdo do aparelho já fundamentou operações de busca contra os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI). A crise institucional se intensificou quando André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor de 52 mensagens de Vorcaro.

O documento, elaborado por determinação de Mendonça, sustenta que Moraes teria participado da análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro.

De acordo com a PF, Vorcaro solicitou auxílio ao ministro para barrar ações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal contra a instituição financeira. O relatório indica que houve oito encontros entre o banqueiro e o magistrado, mencionando ainda uma mensagem em que Vorcaro questionava se deveria deixar o país dois dias antes de sua prisão.

Alexandre de Moraes negou ter favorecido o Banco Master ou o ex-banqueiro, classificando como fantasiosas as mensagens atribuídas a ele no relatório policial.

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