Justiça

STF retira sigilo de documentos que detalham tentativa de fuga de ex-banqueiro do Banco Master

11 de Setembro de 2026 às 07:25 3 min de leitura

O ministro André Mendonça retirou o sigilo de documentos do caso Master, revelando que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tentou fugir para os Emirados Árabes antes da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal aponta que Vorcaro obteve informações antecipadas e usou servidores do Banco Central para evitar a prisão. O relatório inclui mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o investigado

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de inquéritos, petições e reclamações vinculados ao caso Master. A decisão, que atende a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, expõe documentos da Polícia Federal (PF) que detalham as movimentações de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, nos dias que antecederam a Operação Compliance Zero.

Articulações e tentativa de fuga

De acordo com a PF, Vorcaro teria agido para evitar a prisão ao obter informações antecipadas sobre a operação policial. O relatório aponta que, em 21 de outubro de 2025, o banqueiro registrou em seu aplicativo de notas os nomes de agentes federais que participaram de uma reunião reservada com o Banco Central. Posteriormente, em 16 de novembro, Vorcaro questionou a proximidade de terceiros com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável pelas medidas contra ele, o que reforça a suspeita de vazamento de dados de um inquérito sigiloso.

A movimentação final ocorreu em 17 de novembro de 2025. Na manhã daquele dia, após receber mensagens urgentes de seu advogado, Walfrido Warde, Vorcaro alterou seus planos e agendou um voo partindo do Aeroporto de Congonhas. Simultaneamente, o banqueiro monitorava a imprensa, recebendo e compartilhando com sua defesa a notícia de um inquérito na 10ª Vara Federal de Brasília.

Na mesma data, Warde protocolou um pedido de acesso às investigações na referida vara, utilizando a reportagem como justificativa. Enquanto isso, Vorcaro mantinha contato com os servidores do Banco Central, Paulo Sérgio e Belline, que articularam uma reunião virtual com o diretor da autarquia, Ailton Aquino, para a tarde daquele dia. A PF sustenta que o banqueiro utilizou servidores subalternos, mediante pagamento de vantagens indevidas, para forçar esse encontro.

Prisões e decisões judiciais

A tentativa de deixar o Brasil foi interrompida na noite de 17 de novembro, quando a PF interceptou Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos. Ele pretendia embarcar em um jato particular com destino aos Emirados Árabes. No dia seguinte, 18 de novembro, foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero.

Embora tenha sido solto cerca de dez dias depois por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região — decisão que considerou, entre outros pontos, o teor da reunião com o Banco Central —, o banqueiro voltou a ser alvo da justiça. A PF utilizou as evidências de articulação prévia para embasar um novo pedido de prisão preventiva, assinado em 27 de fevereiro de 2026, resultando na nova detenção de Vorcaro em março do mesmo ano.

Interação com o STF

Documentos liberados também revelam a existência de trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Nos diálogos, o ministro discutia com o ex-banqueiro a possibilidade de a Polícia Federal deflagrar a operação que teria Vorcaro como alvo principal. As mensagens integram o relatório da PF ao STF, cujo sigilo foi levantado em 1º de setembro.

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