Justiça

STF retira sigilo de inquéritos que investigam o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro

11 de Setembro de 2026 às 07:25 3 min de leitura

O ministro André Mendonça, do STF, determinou a retirada do sigilo de investigações sobre o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Permanecem reservados os autos sobre o senador Jaques Wagner e a produção do filme Dark Horse. O caso envolve apurações de repasses financeiros e suspeitas de vantagens indevidas

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STF retira sigilo de inquéritos que investigam o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro
Rosinei Coutinho/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada do sigilo de inquéritos, petições e reclamações que compõem as investigações sobre o Banco Master. A decisão, tomada nesta quinta-feira, ocorreu após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin, e torna públicos documentos que incluem apurações sobre o controlador da instituição, o banqueiro Daniel Vorcaro.

Apesar da abertura de parte dos autos, o magistrado manteve a reserva de certas frentes investigativas. Permanecem sob sigilo as apurações que envolvem a relação entre o senador Jaques Wagner e o ex-sócio do banco, Augusto Ferreira Lima, além das diligências sobre a produção do filme Dark Horse.

Repasses para produção cinematográfica

As investigações sobre o longa-metragem Dark Horse, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro, apontam a participação direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na captação de recursos. O parlamentar teria negociado o repasse de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época) para financiar a obra.

De acordo com as apurações, Daniel Vorcaro efetuou o pagamento de R$ 61 milhões aos produtores do filme por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos, sob pressão e solicitações de Flávio Bolsonaro. Enquanto a produtora declara ter gasto R$ 75,1 milhões, o caso segue sob análise. Paralelamente, as autoridades investigam um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e uma ONG de Karina da Gama para a instalação de wi-fi na capital paulista.

Suspeitas de vantagens indevidas

No âmbito da operação Compliance Zero, a Polícia Federal investiga a conduta do senador Jaques Wagner. Foram identificadas 74 chamadas telefônicas realizadas em um período de 18 meses entre o parlamentar e o banqueiro Augusto Lima, suspeito de fraudes financeiras.

A PF sustenta que Wagner teria utilizado sua influência no Congresso Nacional para defender os interesses do Banco Master. Em contrapartida, o senador teria recebido benefícios ilícitos, incluindo repasses para empresas de familiares e um imóvel de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões.

Tensões institucionais no STF

O andamento do "caso Master" tornou-se o centro de um conflito interno no STF, envolvendo os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. A divergência estendeu-se ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O atrito entre o gabinete de Mendonça, relator das apurações, e a cúpula da PF manifestou-se antes mesmo da divulgação do relatório que motivou as decisões recentes. Diante do impasse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou, em agosto, que a direção da Polícia Federal buscasse diálogo com o ministro para alinhar a relação entre a corporação e a relatoria do caso.

Com informações de G1

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