STF torna réus ex-presidente da Alerj e desembargador por obstrução de investigação sobre o Comando Vermelho
A Primeira Turma do STF tornou réus Rodrigo Bacellar, TH Joias, Macário Ramos Júdice Neto, Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado. O grupo é acusado de obstrução de investigação e lavagem de dinheiro para vazar dados da Operação Zargun contra o Comando Vermelho. A decisão ocorreu em plenário virtual com base em denúncia da PGR
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar réus o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual TH Joias e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto. Os três, que já se encontram presos, respondem por obstrução de investigação referente ao vazamento de dados sigilosos de uma operação policial contra a organização criminosa Comando Vermelho (CV).
A decisão do colegiado, tomada em plenário virtual, estende-se também a Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH Joias, e a Thárcio Nascimento Salgado, apontado como suspeito de realizar a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas na favela de Senador Camará, localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Detalhes da denúncia e a Operação Zargun
O processo baseia-se em denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que aponta a atuação do grupo entre os dias 2 e 3 de setembro de 2025. O objetivo seria vazar informações sobre a Operação Zargun, permitindo que TH Joias, um dos alvos centrais da ação, removesse objetos de sua casa antes da chegada das autoridades policiais.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, destacou que as provas indicam a prática de obstrução de investigação contra organização criminosa armada. No voto, Moraes mencionou que Rodrigo Bacellar admitiu ter conversado com Thiego Raimundo sobre a operação no dia 2 de setembro de 2025, nas dependências da Alerj. De acordo com a PGR, esse diálogo ocorreu logo após a Polícia Federal ter interagido com o gabinete do desembargador sobre a data de deflagração da operação.
Para o ministro, ficou evidenciado que os acusados agiram em conluio para repassar dados sigilosos com a intenção de suprimir provas e embaraçar a investigação criminal envolvendo o Comando Vermelho.
Próximos passos judiciais
O voto de Alexandre de Moraes foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. O prazo para que os magistrados ajustem seus votos encerra-se nesta sexta-feira (21).
Após a conclusão do julgamento, as defesas dos envolvidos poderão apresentar recursos à Primeira Turma solicitando esclarecimentos. Na sequência, o STF deverá instaurar a ação penal.