STJ exonera servidor suspeito de vazar informações privilegiadas para advogado
O Superior Tribunal de Justiça exonerou o servidor Humberto Fontoura Pradera por suspeita de vazar informações e minutas de decisões para o advogado Willer Tomaz. A medida ocorreu após relatório da Polícia Federal detalhar o repasse de dados internos e a influência do advogado em pareceres da PGR
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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) exonerou, nesta sexta-feira (16), Humberto Fontoura Pradera, servidor com cargo de confiança na área de tecnologia, após a abertura de uma investigação interna. Pradera é suspeito de vazar minutas de decisões e informações privilegiadas do tribunal para o advogado Willer Tomaz.
As evidências do vazamento constam em um relatório da Polícia Federal (PF) enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento detalha trocas de mensagens em que o servidor, que atuava como secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação (STI), repassava demandas internas e indicava quais profissionais estavam designados para tratar de temas específicos. Em um dos episódios, Pradera enviou a fotografia de um documento exibido em tela de computador, incluindo a imagem de um carimbo sobre a mesa.
Interferência em processos e pareceres
A investigação aponta que o compartilhamento de dados incluía detalhes sobre o REsp 2122969, no qual o servidor explicou a perda de efeito de uma tutela após julgamento. Além da relação com o servidor do STJ, a PF identificou que Willer Tomaz mantinha contato com o subprocurador-geral da República, Antônio Carlos Simões Martins Soares, aposentado voluntariamente em março de 2026.
O relatório da PF apresenta uma planilha comparativa demonstrando que pareceres assinados por Antônio Carlos seguiam recomendações do advogado. Em certas ocasiões, a redação era idêntica ou muito semelhante às sugestões de Tomaz. Um exemplo citado envolve um agravo em recurso especial, onde trechos sobre a atuação do administrador judicial, laudos sigilosos, exclusão de créditos e valores do FII Eldorado foram reproduzidos literalmente no parecer. Outro caso refere-se a uma tese sobre gestão de conta de espólio, na qual o subprocurador opinou pelo provimento após discussões prévias com o advogado.
Investigações paralelas e vínculo político
O advogado Willer Tomaz é alvo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias em benefícios do INSS. Ele também é investigado por suposta lavagem de dinheiro via casas de apostas. Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, Tomaz teria apostado R$ 6,6 bilhões, acumulando um prejuízo de R$ 188,5 milhões. Recentemente, a 44ª Vara Cível de São Paulo negou o pedido do advogado para reaver R$ 163 milhões perdidos na plataforma Blaze, sob a alegação de vício em jogos.
A PF também apura a relação de Tomaz com o senador Flávio Bolsonaro. O parlamentar foi cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária de uma empresa do advogado, o que, segundo a PF, sugere a possibilidade de participação econômica ou societária de fato na companhia.
Posicionamentos oficiais
O STJ informou que o presidente da Corte, ministro Luis Felipe Salomão, já estava ciente dos fatos e que o procedimento de apuração havia sido iniciado na semana anterior. O tribunal ressaltou que, por não ser concursado, o servidor foi exonerado e que as medidas criminais seguem em sigilo.
A defesa de Willer Tomaz negou qualquer acesso irregular a documentos ou interferência em manifestações do Ministério Público Federal. A nota afirma que a ciência antecipada de julgados é uma funcionalidade do sistema do STJ e que a incorporação de argumentos de memoriais em pareceres faz parte da rotina processual. A defesa classificou a divulgação do relatório como ilegal e afirmou que os responsáveis pelo vazamento de material sigiloso serão responsabilizados.