Justiça

Tesouro dos Estados Unidos classifica o PCC como a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental

02 de Julho de 2026 às 06:12

O Tesouro dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital como a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental. A medida incluiu sanções a dois cidadãos e três empresas brasileiras por lavagem de dinheiro para a facção

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental. A definição consta em documento publicado na última quarta-feira (1º), que detalha a imposição de sanções a três empresas e dois cidadãos brasileiros envolvidos em lavagem de dinheiro para a facção. Esta é a primeira medida de sanções aplicada desde maio, quando as autoridades americanas enquadraram o grupo como uma organização terrorista.

A movimentação reflete a nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, apresentada pelo Departamento de Guerra em janeiro. O plano visa garantir a dominância militar e comercial desde o Ártico até a América do Sul, sob a premissa de buscar a "paz por meio da força". O combate ao narcoterrorismo é o pilar central dessa política, que prevê a possibilidade de ataques militares diretos contra organizações criminosas em qualquer ponto das Américas, caso os interesses norte-americanos sejam comprometidos.

Essa diretriz é reforçada pela Estratégia de Política Externa divulgada pela Casa Branca em dezembro de 2024, que prioriza a América Latina e prevê o realinhamento da presença militar global para enfrentar ameaças urgentes de segurança nacional no Hemisfério Ocidental. O governo Trump busca a retomada da influência regional por meio da aplicação da Doutrina Monroe, que visa impedir a recolonização do continente por potências estrangeiras e conter a expansão da China na região. Outros focos da estratégia incluem o combate à imigração ilegal e o apoio a aliados no desmantelamento de cartéis de drogas.

Como exemplo da aplicação dessa força, o Departamento de Guerra citou a operação que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, acusado de liderar o Cartel de los Soles, também classificado como terrorista pelos EUA.

Em maio, ao incluir o PCC e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas, os Estados Unidos justificaram a medida com base na violência brutal desses grupos contra civis e autoridades, além da capacidade de comando de milhares de integrantes. O secretário Marco Rubio enfatizou que a atuação dessas facções extrapola as fronteiras brasileiras, atingindo outros países e os próprios EUA, o que exige o corte de recursos e financiamentos.

O governo brasileiro, sob a gestão do presidente Lula, manifestou oposição à medida, defendendo a soberania nacional e criticando a forma como o país foi tratado. No Palácio do Planalto, existe a preocupação de que a classificação de grupo terrorista possa servir de justificativa legal para que os Estados Unidos realizem operações militares em solo brasileiro. Paralelamente, a análise técnica de segurança pública indica que a legislação brasileira voltada ao combate de facções criminosas já prevê punições mais severas do que a lei antiterrorismo.

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