Tesouro dos Estados Unidos impõe sanções a brasileiros por lavagem de dinheiro para o PCC
O Tesouro dos Estados Unidos sancionou dois brasileiros e três empresas por lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital. Victor Henrique de Oliveira Shimada teria movimentado mais de US$ 30 milhões via criptomoedas entre São Paulo e Flórida. A medida integra ações contra a facção, classificada pelo governo norte-americano como organização terrorista
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções a dois cidadãos brasileiros e a três empresas sediadas no Brasil, sob a acusação de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) utiliza o sistema financeiro norte-americano para a lavagem de dinheiro. De acordo com o governo Trump, a facção opera na Flórida com atividades que abrangem desde a distribuição de entorpecentes até a ocultação de capitais, sendo classificada como uma ameaça direta aos Estados Unidos.
Victor Henrique de Oliveira Shimada é um dos principais alvos da medida, sendo apontado como o elo central entre o PCC e traficantes internacionais. A partir de São Paulo, Shimada e sua organização teriam lavado mais de US$ 30 milhões provenientes de crimes cometidos em diversas cidades e regiões dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para repatriar os valores ao Brasil. O esquema de ocultação de bens funcionava por meio de dois centros operacionais: São Paulo e Flórida.
Nessa estrutura, a empresa Victory Trading, da qual Shimada é sócio, foi utilizada para lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro através de fraudes publicitárias. Em julho de 2025, o Ministério Público de São Paulo denunciou Shimada por lavagem de dinheiro relacionada ao escândalo da VaideBet. Outra pessoa sancionada, Stella Stefanie de Oliveira, parente e colaboradora de Shimada, teria atuado na logística e na intermediação de grandes movimentações financeiras.
A operação atual é coordenada pela Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF), com a atuação conjunta do FBI em Miami, do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) e da Seção de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ).
Esta é a terceira vez que o OFAC aplica sanções contra o PCC, que já havia sido punido em 2021 por tráfico internacional de drogas e, em 2024, através da punição a Diego Macedo Gonçalves do Carmo, acusado de lavar dinheiro para a facção. O Tesouro norte-americano destaca que o PCC é uma das maiores organizações criminosas transnacionais, com presença em países como Reino Unido, Turquia e Japão.
A medida ocorre após o Departamento de Estado dos EUA classificar, em 29 de maio, o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão que entrou em vigor no dia 5 de junho. A determinação ocorreu contrariando pedidos do governo federal brasileiro e permite que os Estados Unidos adotem ações unilaterais mais rigorosas, incluindo a sanção de empresas e cidadãos brasileiros ou, em última instância, a intervenção direta no território nacional.