Justiça

Uber condenada a pagar R$ 15 mil por danos morais após recusa em transportar líder religiosa

07 de Março de 2026 às 12:43

A Justiça do estado da Paraíba condenou a Uber a pagar R$ 15 mil em danos morais à uma líder religiosa que sofreu discriminação racial. A decisão considera a plataforma responsável solidária pelos atos de um motorista que usava o aplicativo e recusou-se a realizar uma corrida por motivo de intolerância religiosa. Isso não é a primeira vez que a Justiça condena Uber por esse tipo de incidente

Justiça condena Uber a pagar R$ 15 mil por danos morais à líder religiosa em João Pessoa.

A Justiça do estado da Paraíba decretou que a plataforma de transporte urbano Uber deve indenizar uma líder religiosa com o valor de R$ 15.000,00 pelos danos morais sofridos após um motorista recusar-se a realizar uma corrida em João Pessoa.

O episódio ocorreu no ano passado e envolveu a recusa do motorista em transportar a mulher para seu destino por motivo de intolerância religiosa. O condutor, ao ser questionado pelo aplicativo Uber sobre o local da partida, respondeu com uma mensagem que continha um ataque direto à fé afro-brasileira.

O magistrado Antônio Silveira Neto destacou a "lógica histórica de segregação" presente no episódio e na sociedade brasileira. Segundo ele, práticas como invasões, ameaças para forçar conversão religiosa e demonização pública das religiões de matriz africana persistem em nosso país.

A decisão da Justiça considera a Uber responsável solidária pelos atos do motorista que usava o aplicativo. Isso significa que a plataforma assume os riscos inerentes à atividade, respondendo por todos os condutores que utilizam seu serviço.

Essa não é a primeira vez em que a Justiça condenou Uber por intolerância religiosa de um dos seus motoristas. No ano passado, uma consumidora do Paraná foi vítima de discriminação semelhante após solicitar uma corrida e ter o pedido cancelado com base na justificativa "macumbeiro não anda no meu carro".

A Uber reafirmou seu compromisso em promover respeito, igualdade e inclusão para todas as pessoas que utilizam o aplicativo. A plataforma afirma enviar constantemente materiais educativos sobre racismo e discriminação aos motoristas parceiros.

Com essa decisão da Justiça do estado da Paraíba, a Uber é novamente questionada por sua política de tolerância religiosa em relação às suas equipes de trabalho.

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