Justiça

Uber condenada por intolerância religiosa: Justiça ordena indenização a líder candomblé

07 de Março de 2026 às 12:46

Uma líder religiosa foi condenada por danos morais após uma corrida ser cancelada pela Uber em João Pessoa (PB) no ano passado. A Justiça determinou que a plataforma pague R$ 15 mil e considerou que ela é responsável solidária pelos atos dos condutores. O magistrado destacou o episódio como um caso de intolerância religiosa, reforçando estereótipos discriminatórios no país

Em João Pessoa (PB), a Justiça condenou a Uber a pagar R$ 15 mil em indenização por danos morais à uma líder religiosa que teve sua corrida cancelada após o motorista identificar seu local de partida como um terreiro de candomblé. O episódio ocorreu no ano passado, quando a mulher solicitou uma corrida pelo aplicativo e foi informada pelo motorista que não iria realizar o transporte.

O magistrado Antônio Silveira Neto considerou que a Uber é responsável solidária pelos atos praticados pelos condutores da plataforma. Ele destacou que o cancelamento da corrida foi um ato de intolerância religiosa e reforçou a "lógica histórica de segregação" presente no país, onde espaços sagrados afro-brasileiros são tratados como indesejáveis ou moralmente inferiores.

A decisão também ressaltou que práticas discriminatórias persistem em ações como invasões e destruição de terreiros, ameaças para forçar conversão religiosa, demonização pública de religiões de matriz africana e outras atitudes. O juiz afirmou que essas condutas reforçam estereótipos discriminatórios e contribuem para a perpetuação de desigualdades estruturais.

A Uber reafirmou seu compromisso com o respeito, igualdade e inclusão para todas as pessoas que utilizam o aplicativo. A plataforma afirma enviar constantemente materiais educativos e de conscientização sobre racismo e discriminação para os motoristas parceiros. No entanto, essa não é a primeira vez que a Uber é condenada por intolerância religiosa em casos envolvendo seus motoristas.

A decisão da Justiça da Paraíba vem em um contexto onde as práticas discriminatórias continuam presentes no país. A liderança religiosa afetada pelo caso destacou a importância de combater essas atitudes e promover uma sociedade mais inclusiva e respeitosa com as diversidades culturais e religiosas.

A Uber foi condenada por não ter implementado medidas eficazes para prevenir tais situações, apesar das reiteradas denúncias de intolerância. A decisão é um alerta para a necessidade de mudanças na forma como as plataformas de transporte lidam com os motoristas e os usuários.

A liderança religiosa afetada pelo caso considerou que o resultado da Justiça foi uma vitória importante, mas fruto de muitos anos lutando por direitos. Ela ressaltou a importância do combate às discriminações e à intolerância em todas as esferas da sociedade.

A decisão também reforçou a necessidade de políticas públicas eficazes para prevenir esses tipos de violações, garantindo o acesso igualitário das pessoas negras e praticantes dessas religiões ao exercício pleno de sua fé.

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