Adolescentes que compartilhavam retórica de ódio matam três pessoas em Centro Islâmico de San Diego
Dois adolescentes mataram três pessoas no Centro Islâmico de San Diego nesta segunda-feira (18). O FBI apreendeu 30 armas de fogo e uma besta em residências ligadas aos suspeitos, que morreram no local do crime. As vítimas foram identificadas como Abdullah, Mansour Kaziha e Nader Awad
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Adolescentes que se conheceram on-line e compartilhavam um "ódio generalizado" contra diferentes raças e religiões mataram três pessoas no Centro Islâmico de San Diego, nos Estados Unidos. O ataque ocorreu na segunda-feira (18) em uma instituição que abriga a Escola Al Rashid, voltada ao ensino de língua árabe, estudos islâmicos e Alcorão para crianças a partir de cinco anos.
As vítimas foram identificadas pelo imã Taha Hassane como Abdullah, Mansour Kaziha e Nader Awad. Entre os mortos estava um segurança que, ao distrair os atiradores, impediu que a violência se expandisse para além da entrada da mesquita. Abdullah trabalhava no local há mais de dez anos, enquanto Kaziha, conhecido como Abu Ezz, era descrito como peça fundamental para a comunidade.
A polícia já procurava os dois suspeitos horas antes do crime. A investigação foi iniciada após a mãe de um dos jovens relatar o desaparecimento do filho, que apresentava tendências suicidas, além do sumiço de armas e do veículo da família. Durante a busca, as autoridades descobriram que o adolescente vestia roupas camufladas e estava acompanhado de um amigo. O carro foi rastreado por leitores automáticos de placas até um shopping, mas o tiroteio começou duas horas após a denúncia da mãe.
Embora as autoridades não tenham identificado publicamente os adolescentes até a manhã de terça-feira (19), investigadores revistaram a residência de Cain Clark, estudante do último ano do ensino médio em San Diego. Clark estudava on-line desde 2021 e integrava a equipe de luta livre da Madison High School em 2024, sem histórico de problemas disciplinares. Vizinhos relataram ter visto o jovem entrar sozinho em um carro algumas horas antes do ataque.
Em diligências nas residências ligadas ao caso, o FBI recuperou 30 armas de fogo e uma besta. Mark Remily, representante do órgão, confirmou a existência de escritos dos suspeitos, embora não tenha detalhado as ideologias expressas. O chefe de polícia Scott Wahl afirmou que, apesar de não haver ameaças específicas contra a mesquita — a maior de San Diego —, os jovens se envolveram em retórica de ódio.
O episódio ocorre em um cenário de aumento de crimes e ameaças contra comunidades judaicas e muçulmanas desde o início do conflito no Oriente Médio. Mohamed Gula, CEO interino do grupo Emgage Action, destacou que a retórica anti-muçulmana nos Estados Unidos tem crescido e gerado consequências reais.
No local do crime, policiais encontraram os suspeitos mortos após um dos motoristas ter baleado um jardineiro, que não sofreu ferimentos graves. Testemunhas relataram a presença de cacos de vidro nas ruas e a tentativa da polícia de reanimar um dos agressores. O Distrito Escolar Unificado de San Diego informou que a polícia escolar coopera com as investigações.