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Airbus e Saab planejam parceria para desenvolver caças de sexta geração na Europa

29 de Maio de 2026 às 12:17

A Airbus Defense & Space planeja criar uma empresa conjunta com a sueca Saab para desenvolver caças de sexta geração e drones. A iniciativa ocorre devido a impasses no consórcio Future Combat Air System (FCAS) entre França e Alemanha. O objetivo é garantir a autonomia de defesa europeia e a operacionalidade das aeronaves antes de 2040

Airbus e Saab planejam parceria para desenvolver caças de sexta geração na Europa
Concepto de Dassault.

A Airbus Defense & Space planeja romper sua aliança atual para formar uma empresa conjunta com a fabricante sueca Saab, visando o desenvolvimento de caças de sexta geração. A iniciativa do gigante aeroespacial europeu surge como resposta ao impasse no consórcio Future Combat Air System (FCAS), projeto que envolve França, Alemanha, Espanha e Bélgica.

O movimento busca evitar que a Europa dependa exclusivamente de exportações dos Estados Unidos, como ocorre atualmente com a compra em larga escala do F-35 e a expectativa em torno do conceito F-47. Michael Schoellhorn, diretor executivo da Airbus Defense & Space, defende a urgência de fabricar aeronaves próprias para garantir a autonomia de defesa do continente diante da pressão da China e do afastamento dos americanos.

A paralisia do FCAS é resultado de uma disputa de poder entre França e Alemanha por um programa orçado em 100 bilhões de euros. A Dassault Aviation, principal contratante francesa, exige controle total sobre os subcontratantes, modelo similar ao utilizado no projeto de drones Neuron. Em contrapartida, a Airbus defende um sistema de colaboração interdependente para a troca de conhecimento técnico. O conflito travou a assinatura do contrato da Fase 2, estimado em quase 5 bilhões de euros, que deveria viabilizar protótipos de aviões e drones para 2029 ou 2030, apesar de já terem sido investidos 3,2 bilhões de euros em estudos preliminares.

Além da governança, há divergências operacionais irreconciliáveis. A França exige que a aeronave seja capaz de operar em porta-aviões e transportar armas nucleares, requisitos rejeitados publicamente pelo chanceler alemão Friedrich Merz. Enquanto a Dassault afirma que poderia desenvolver um caça exclusivamente francês por menos de 50 bilhões de euros usando lucros do Rafale, o Banco da França alerta para os riscos fiscais caso o déficit orçamentário ultrapasse 5% em 2026.

Diante do cenário, a indústria e os sindicatos alemães, representados pela BDLI e IG Metall, sugeriram a divisão do FCAS para a produção de dois modelos de caças distintos. Essa medida visaria eliminar incertezas de planejamento e fortalecer a cadeia de empregos na Alemanha, com a BDLI afirmando que Berlim teria capacidade financeira para assumir os custos de forma independente.

A nova estratégia da Airbus com a Saab não se limitaria a caças tripulados. O plano inclui a integração de plataformas de alerta precoce, como o sistema GlobalEye, já adquirido por França e Canadá, e o desenvolvimento de drones de combate autônomos (CCA). Schoellhorn argumenta que a Europa precisa de versatilidade e escala, evitando que todos os países foquem no mesmo nicho, como o de ataques ar-terra.

Para que a sexta geração de caças europeus esteja operacional antes de 2040, a Airbus estabeleceu que as decisões políticas definitivas devem ocorrer até o final deste ano, sob risco de um desastre estratégico para a defesa do continente.

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