Alemanha propõe que países da União Europeia tenham maior poder de decisão em cibersegurança
A Alemanha propõe alterações na Lei de Cibersegurança da União Europeia para ampliar o poder de decisão dos Estados-membros na certificação de segurança. A proposta sugere o uso de atos executivos para reduzir a discricionariedade da Comissão Europeia. A revisão prevê a retirada de equipamentos de alto risco, com custos estimados entre 30 bilhões e 40 bilhões de euros
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A Alemanha propõe mudanças estruturais na reforma da Lei de Cibersegurança (CSA2), defendendo que os Estados-membros da União Europeia tenham maior poder de decisão no quadro de certificação de segurança cibernética do bloco. O governo alemão argumenta que, como a expertise técnica e a segurança nacional estão concentradas nos governos nacionais, estes devem participar ativamente da definição dos objetivos de segurança, acompanhando a evolução das ameaças e tecnologias.
Para viabilizar esse controle, a Alemanha sugere que a Comissão Europeia utilize atos executivos para modificar as metas de segurança, em substituição aos atos delegados. Essa alteração técnica garante a participação formal dos países antes da adoção de qualquer medida, reduzindo a discricionariedade da Comissão Europeia.
Integração normativa e governança
A proposta alemã busca alinhar a CSA2 ao Novo Marco Legislativo, que já estabelece a certificação de produtos em toda a Europa, evitando a criação de processos de vigilância de mercado e certificação redundantes. Além disso, o governo defende a inclusão da certificação de profissionais de segurança cibernética na estrutura atual.
Essa movimentação reflete um sentimento compartilhado por diversas capitais europeias. Dados indicam que ao menos 20 Estados-membros reivindicam uma reforma integral na governança de cibersegurança da UE, buscando maior controle nacional. Países como Espanha, Bélgica e Eslováquia também defendem o reforço da supervisão estatal sobre os procedimentos.
Impactos econômicos e infraestrutura
Um dos pontos mais críticos da revisão da Lei de Cibersegurança é a previsão de retirada gradual, em até três anos, de equipamentos de fornecedores classificados como de alto risco.
A medida gera preocupações financeiras significativas para o setor de telecomunicações. Estimativas da GSMA Intelligence indicam que a substituição desses componentes pode custar às operadoras europeias entre 30 bilhões e 40 bilhões de euros. Além do gasto direto, a transição pode impactar a concorrência, os investimentos e os preços finais dos serviços.
Atualmente, as negociações avançam no Conselho da União Europeia, onde a Espanha e outros membros apoiam a simplificação do sistema de certificação, desde que seja mantida a influência nacional nas decisões que afetam a soberania e a segurança de cada país.