América Latina consolida onda de vitórias de governos de direita com doze chefes de Estado
A América Latina possui atualmente 12 chefes de Estado de direita, com vitórias recentes de Keiko Fujimori no Peru e Abelardo de la Espriella na Colômbia. A ascensão desses governos está ligada a demandas por segurança pública e ao apoio ao livre mercado, que subiu para 66% em 2024
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A América Latina atravessa uma reconfiguração no mapa político, consolidando uma onda de vitórias de governos de direita. Atualmente, o continente soma 12 chefes de Estado com esse posicionamento ideológico, um cenário que contrasta com o início de 2023, quando 11 países eram administrados por governos de esquerda.
A tendência mais recente foi confirmada no Peru, onde Keiko Fujimori venceu as eleições presidenciais em sua quarta tentativa. Na Colômbia, o presidente eleito Abelardo de la Espriella deve tomar posse em 7 de agosto. Embora as maiores democracias da região em número de eleitores, Brasil e México, mantenham governos de esquerda, o cenário brasileiro aponta para um embate entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro nas urnas de outubro.
Segurança pública como motor eleitoral
A ascensão desses governos está fortemente ligada à demanda popular por combate rigoroso à criminalidade. Em países como Equador e Peru, houve aumentos significativos nos índices de violência e extorsão. No Chile, embora os índices de homicídios sejam menores que na Colômbia ou no México, a preocupação da população com a segurança é superior à desses vizinhos.
Candidatos que prometem "ordem" e "braço forte" ganharam tração, a exemplo de:
- Keiko Fujimori (Peru)
- Abelardo de la Espriella (Colômbia)
- Daniel Noboa (Equador)
- José Antonio Kast (Chile)
- Nasry Asfura (Honduras)
Um dos principais expoentes desse modelo é Nayib Bukele, em El Salvador. O presidente implementou um estado de exceção para reduzir a violência de gangues, concentrando poderes e suspendendo garantias constitucionais, o que resultou em denúncias de abusos, mas também em alta popularidade regional.
Estratégias e influências externas
A nova direita latino-americana se diferencia dos conservadores tradicionais pelo uso intensivo de redes sociais e por uma postura verbal mais agressiva contra adversários de esquerda e a chamada cultura woke. Esse estilo combativo converge com a linha de Donald Trump, nos Estados Unidos, cujo governo buscou alinhar-se a esses líderes para neutralizar a influência da China na região.
Dados do Latinobarómetro indicam que a mudança de inclinação política começou em 2020, período da pandemia de coronavírus. A crise sanitária e econômica teria reduzido as expectativas de futuro das populações vulneráveis, impulsionando a demanda por soluções drásticas e populistas. No campo econômico, o apoio ao livre mercado subiu de 58% em 2020 para 66% em 2024, legitimando pautas de redução do Estado, como a defendida por Javier Milei na Argentina.
Desafios de gestão e instabilidade
Apesar do sucesso eleitoral, a manutenção desse poder enfrenta obstáculos concretos. A tendência do eleitor latino-americano tem sido punir governos situacionistas, independentemente da ideologia, com a oposição vencendo o dobro das eleições na última década.
Atualmente, os governos de direita lidam com crises persistentes:
- Argentina: Javier Milei tenta converter o ajuste fiscal e a redução da inflação em melhoria perceptível na vida do cidadão.
- Equador: Mesmo com a mobilização militar de Daniel Noboa, o país registrou mais de 9,2 mil assassinatos em 2025, um dos maiores índices globais.
- Chile: A aprovação de José Antonio Kast recuou após a posse em março, pressionada pelo desemprego — que chegou a 9,4% entre março e maio — e pela estagnação econômica.
A continuidade desse ciclo depende da capacidade desses governos em entregar a segurança prometida. Caso contrário, a incapacidade de controlar a criminalidade poderá se tornar o equivalente ao fracasso dos governos de esquerda em eliminar a pobreza, abrindo espaço para novas formas de populismo.