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Anthony Fauci se recusa a responder perguntas sobre a origem da Covid-19 em audiência

03 de Agosto de 2026 às 13:17

Um comitê republicano dos Estados Unidos interrogou o imunologista Anthony Fauci sobre a origem da Covid-19, financiamentos na China e a hipótese de vazamento laboratorial. O médico utilizou a Quinta Emenda para não responder a mais de cem perguntas, enquanto o senador Rand Paul apresentou anotações privadas de Fauci que indicariam incertezas sobre a procedência do vírus

Anthony Fauci se recusa a responder perguntas sobre a origem da Covid-19 em audiência
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Um comitê liderado por republicanos nos Estados Unidos retomou a discussão sobre a origem da Covid-19 em audiência realizada na última quarta-feira (29). O foco do interrogatório foi o imunologista Anthony Fauci, que atuou como a principal referência na resposta sanitária do país e foi diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas desde 1984, acumulando cinco décadas de serviço ao governo americano.

Durante a sessão, Fauci utilizou a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos para se recusar a responder a mais de cem questionamentos. Os parlamentares focaram a investigação em decisões governamentais durante a crise, no financiamento de pesquisas sobre coronavírus na China e na possibilidade de o vírus ter escapado de um laboratório em Wuhan.

Contradições e registros privados

O senador republicano Rand Paul apresentou mais de mil páginas de um diário pessoal mantido por Fauci, incluindo anotações do período da pandemia. Paul argumentou que existe uma divergência entre as declarações públicas do médico e seus registros privados, sustentando a tese de que Fauci teria facilitado a pandemia via financiamentos na China e, posteriormente, omitido a hipótese de um vazamento laboratorial.

As anotações do diário revelam que, em janeiro de 2020, o médico já registrava incertezas sobre a procedência do vírus. Pouco mais de um ano depois, diante de críticas da imprensa sobre mudanças em seu posicionamento, Fauci escreveu que não era possível fazer afirmações categóricas, embora defendesse a necessidade de investigações profundas sobre a rápida propagação da doença.

Divergências sobre a origem do vírus

A definição sobre como a pandemia começou permanece sem consenso. O cenário é dividido entre agências de inteligência e a comunidade científica:

  • Vazamento Laboratorial: O FBI afirmou em 2023 que esta é a hipótese mais provável. Em 2025, a CIA também apontou o vazamento como a causa mais provável, porém com baixo grau de confiança.
  • Transmissão Natural: O Conselho Nacional de Inteligência e outras quatro agências dos EUA avaliam que o vírus surgiu de forma natural, via animal. Essa tese foi reforçada por estudos da revista Science em 2022, que apontaram um mercado de animais em Wuhan como o ponto de dispersão para humanos.
  • Posicionamento da OMS: Em 2021, a Organização Mundial da Saúde classificou como "extremamente improvável" a origem laboratorial, apontando como "possível ou provável" o contágio direto de animal para humano ou a existência de um animal intermediário.

O governo da China rejeitou as conclusões do FBI, classificando-as como sem credibilidade e alegando que os Estados Unidos utilizam a questão para promover a manipulação política e a estigmatização do país.

Histórico político

A atuação de Anthony Fauci foi marcada por embates diretos com o ex-presidente Donald Trump. A rivalidade cresceu devido a divergências sobre a velocidade da reabertura econômica e a implementação de medidas de proteção, como o uso de máscaras. Enquanto o médico insistia em regras rígidas de distanciamento social para conter o novo coronavírus, Trump ignorava tais recomendações.

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