António Guterres alerta para a fragilidade da segurança global na abertura da assembleia da ONU
António Guterres alertou sobre a fragilidade da segurança global e o aumento de conflitos armados na abertura da 81ª assembleia geral da ONU. O secretário-geral destacou as guerras, a desigualdade, as mudanças climáticas e a inteligência artificial como eixos críticos para a humanidade

António Guterres, em seu último pronunciamento como secretário-geral da ONU, abriu a 81ª assembleia geral da organização nesta terça-feira (22) com um alerta sobre a intensificação de conflitos armados e a fragilidade da segurança global. O dirigente destacou que o aumento de ataques contra civis e trabalhadores humanitários, somado ao aprofundamento das divisões geopolíticas, reflete a maneira como o poder está sendo exercido e transformado no cenário mundial.
Desafios globais e governança
Para Guterres, o futuro da humanidade depende da superação de quatro eixos críticos: as guerras, a desigualdade, as mudanças climáticas e a inteligência artificial. O secretário-geral argumentou que esses problemas não são crises isoladas, mas partes de um mesmo processo relacionado ao uso do poder.
O avanço da inteligência artificial foi apontado como um dos riscos mais urgentes, sob a justificativa de que a tecnologia evolui em um ritmo superior à capacidade humana de compreender seus impactos. Guterres afirmou que até os criadores da ferramenta enfrentam dificuldades para prever seus desdobramentos, enfatizando que o risco real reside na ausência de responsabilidade no desenvolvimento tecnológico.
Diante desse cenário, o gestor convocou os governos a priorizarem a cooperação, a transparência e a confiança mútua para mitigar esses perigos. O discurso marca a reta final da gestão de Guterres, cujo segundo mandato de cinco anos termina em dezembro.