Apple Maps atribui territórios espanhóis ao Marrocos e gera tensão diplomática entre os países
O Apple Maps incluiu as Ilhas Chafarinas, o penhasco de Alhucemas e o de Vélez de la Gomera como territórios do Marrocos, ignorando a soberania da Espanha. A interface utiliza topônimos em árabe e delimita a fronteira do reino alauita sobre as áreas. Autoridades espanholas exigem a correção imediata da representação cartográfica
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A representação cartográfica do Apple Maps tornou-se o centro de uma nova tensão diplomática entre a Espanha e o Marrocos. A aplicação de geolocalização da empresa de Cupertino incluiu as Ilhas Chafarinas, os penhascos de Alhucemas e o de Vélez de la Gomera como parte do território marroquino, ignorando a soberania espanhola sobre essas áreas no norte da África.
A falha é visível na interface do serviço, que apresenta a delimitação fronteiriça do reino alauita e utiliza topônimos em árabe para identificar esses locais. O erro abrange o arquipélago das Chafarinas — composto pelas ilhas Francisco, Isabel II e do Congresso —, além dos ilotes de Terra e de Mar e o Penhasco de Alhucemas. No caso de Vélez de la Gomera, a representação ignora que a área é conectada ao continente por uma das menores fronteiras terrestres do mundo.
Impacto geopolítico e digital
A divergência entre a realidade jurídica e a imagem virtual ocorre em um momento de crise política e migratória entre os dois países, intensificada pelo fluxo de imigrantes em Ceuta. Enquanto a presença militar da Espanha é permanente nesses locais através do Exército de Terra, o mapa digital projeta uma geografia política distinta, o que gera indignação em setores sociais e institucionais em Madri.
Diferente de concorrentes diretos, que costumam manter a administração espanhola ou sinalizar a área como disputada dependendo da região de acesso, o Apple Maps apresenta uma delimitação coerente em toda a faixa costeira. O episódio reacende debates sobre a diplomacia digital, já que a cartografia interativa é frequentemente percebida por milhões de usuários como a verdade objetiva sobre o terreno.
Precedentes e gestão de dados
A situação não é inédita no setor de tecnologia; em 2010, o Google Maps também atribuiu a soberania das ilhas Perejil e Chafarinas ao Marrocos. No caso da empresa liderada por Tim Cook, há um histórico de adaptação de mapas conforme pressões de governos locais para evitar sanções administrativas ou bloqueios comerciais em mercados específicos.
Até o momento, a empresa de Silicon Valley não se manifestou sobre a origem do erro, que pode ter sido causado por uma atualização intencional ou por falhas na transferência de dados cartográficos externos. A correção imediata é exigida por autoridades espanholas, enquanto a aplicação continua a exibir a denominação árabe e a jurisdição marroquina sobre os territórios.