Apuração oficial confirma vitória de Abelardo De La Espriella na presidência da Colômbia
O Registrador Nacional da Colômbia validou a vitória de Abelardo De La Espriella, que obteve 12.959.542 votos contra 12.708.712 de Iván Cepeda. A apuração oficial apresentou variação de 0,003% em relação à contagem inicial
O Registrador Nacional da Colômbia confirmou, nesta terça-feira (23), que a apuração oficial dos votos para a presidência apresentou uma variação de apenas 0,003% em relação à contagem inicial. O dado valida a vitória do advogado e empresário de direita Abelardo De La Espriella, que liderava a pré-contagem com 49,6% dos votos, totalizando 12.959.542 sufrágios contra 12.708.712 de seu adversário, o esquerdista Iván Cepeda.
A margem estreita, inferior a 1%, levou Cepeda a condicionar o reconhecimento do resultado ao encerramento do escrutínio — etapa em que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) revisa a contagem com a presença de advogados dos partidos e do Ministério Público. O candidato de esquerda chegou a solicitar a impugnação de 33 mil mesas eleitorais, alegando erros técnicos identificados por observadores de sua campanha. No entanto, a divergência mínima encontrada pelo órgão eleitoral indica que tais questionamentos não alteram o desfecho do pleito, realizado no domingo (21).
A ascensão de De la Espriella, conhecido como "El Tigre", marca uma guinada política na Colômbia após a gestão de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda do país. O novo eleito, que é cidadão naturalizado dos Estados Unidos e filiado ao Partido Republicano, baseou sua campanha em um discurso antissistema e em propostas de segurança inspiradas no modelo de Nayib Bukele, em El Salvador. Entre suas promessas estão a construção de dez megaprisões, a realização de ofensivas militares contra narcotraficantes e grupos armados, além da retirada da Colômbia de organismos como a ONU e a OEA, sob a justificativa de que promovem agendas de esquerda.
No campo econômico, o empresário propõe a redução do Estado em 40% e o corte de impostos corporativos para estimular o setor privado, contrastando com a abordagem de Petro, que focou no aumento do salário mínimo e na redução do desemprego. De la Espriella também defende o fortalecimento de acordos militares com os Estados Unidos para o combate ao crime organizado, rejeitando a via do diálogo para resolver conflitos com guerrilhas.
A trajetória de De la Espriella é marcada por polêmicas, incluindo declarações inapropriadas em entrevistas televisivas e a defesa jurídica de Alex Saab, empresário acusado de atuar para o governo de Nicolás Maduro. O novo presidente agora integra um bloco de lideranças de direita na América Latina, juntando-se a nomes como Jorge Kast, no Chile, e Rodrigo Paz, na Bolívia, enquanto Keiko Fujimori lidera a apuração no Peru. O resultado foi celebrado pelo presidente argentino Javier Milei, que associou a vitória ao avanço da liberdade na região.