Mundo

Arizona avalia projeto de 5,5 bilhões de dólares para dessalinização de água no México

13 de Maio de 2026 às 06:19

O Arizona estuda investir US$ 5,5 bilhões em um projeto da IDE Technologies para dessalinizar água do mar em Puerto Peñasco, no México. O plano prevê o transporte do recurso por uma tubulação de 300 quilômetros para combater a escassez hídrica do estado

Arizona avalia projeto de 5,5 bilhões de dólares para dessalinização de água no México
Água no Arizona: projeto no México usa dessalinização enquanto rio Colorado perde força e deserto pressiona abastecimento.

O Arizona avalia a implementação de um projeto de infraestrutura para captar água do mar no México, dessalinizá-la e transportá-la até o estado americano por meio de uma tubulação de aproximadamente 300 quilômetros. A proposta, liderada pela empresa IDE Technologies, surge como uma tentativa de mitigar a escassez hídrica em uma região marcada por verões extremos e cidades que se expandem em áreas desérticas.

A necessidade de novas fontes de abastecimento é impulsionada pelo esgotamento de recursos tradicionais. O rio Colorado, que atende milhões de pessoas nos Estados Unidos e no México, apresenta redução de vazão e seca prolongada. Paralelamente, os aquíferos subterrâneos do Arizona estão sendo explorados em um ritmo superior à sua capacidade de reposição natural. Esse cenário é agravado pelo crescimento urbano de Phoenix, onde a expansão de bairros, piscinas e jardins aumenta a demanda por água, especialmente durante picos de calor, quando a evaporação é mais intensa.

O plano prevê a instalação de uma usina de dessalinização em Puerto Peñasco, no Golfo da Califórnia. O recurso tratado seria bombeado do nível do mar até as áreas mais altas do deserto, exigindo um sistema complexo de estações de filtragem, reservatórios intermediários e alto consumo de energia elétrica. O investimento estimado para a obra é de US$ 5,5 bilhões, valor que não inclui os custos operacionais e de manutenção a longo prazo.

A viabilidade do projeto enfrenta obstáculos técnicos e diplomáticos, já que o Arizona não possui litoral e a obra exigiria a travessia de fronteiras internacionais e áreas ambientalmente sensíveis. A operação também gera a salmoura, resíduo altamente concentrado em sal que seria devolvido ao mar. Especialistas alertam que a região norte do Golfo da Califórnia é rasa e delicada, o que pode impactar a cadeia alimentar e ameaçar espécies em risco extremo de extinção, como a vaquita.

Além dos riscos ecológicos, há tensões socioeconômicas. Pescadores mexicanos temem prejuízos na atividade produtiva devido a alterações na salinidade das águas. Politicamente, a proposta é sensível, pois Puerto Peñasco também sofre com instabilidades no abastecimento hídrico. Embora a IDE Technologies sugira que parte da água beneficiaria comunidades mexicanas, a definição de volumes e prioridades ainda não foi detalhada.

Para concretizar a obra, o Arizona precisaria de acordos bilaterais com o governo mexicano e contratos de compra de longo prazo, o que poderia vincular o estado a custos elevados por décadas. Como alternativa ao projeto bilionário, discute-se a redução do consumo através da modernização da irrigação agrícola — setor que detém grande parte da demanda hídrica local — e a limitação de expansões urbanas e de paisagismo em áreas secas.

Notícias Relacionadas