Arturo Pérez-Reverte alerta para a vulnerabilidade da sociedade ocidental diante da hiperdependência tecnológica
O escritor Arturo Pérez-Reverte alertou, em entrevista ao podcast The Wild Project, sobre a vulnerabilidade da sociedade ocidental devido à hiperdependência tecnológica. O autor destacou o risco de um colapso digital e a perda da autonomia humana diante de algoritmos
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O escritor e acadêmico da Real Academia Espanhola (RAE), Arturo Pérez-Reverte, alertou para a vulnerabilidade extrema da sociedade ocidental diante de uma hiperdependência tecnológica. Em entrevista ao podcast The Wild Project, conduzido por Jorge Carrillo (Jordi Wild), o autor argumentou que a fragilidade do sistema digital contemporâneo, somada à perda do senso comum, coloca as novas gerações em risco diante de um eventual colapso virtual.
O risco do colapso digital
Para Pérez-Reverte, a dependência total da eletricidade e de ferramentas digitais torna a população indefesa. O autor, que atuou como correspondente de guerra em regiões desprovidas de energia elétrica, projeta três cenários possíveis para o futuro da gestão da informação e do controle social:
- Autonomia individual: a manutenção de uma postura lúcida e consciente, onde o indivíduo detém o controle de sua própria vida digital.
- Controle estatal: a manipulação por parte do Estado, que utiliza dados de preferência pessoal para bombardear o cidadão com informações tendenciosas.
- Caos generalizado: a incapacidade do Estado de controlar a manipulação, resultando em um cenário de instabilidade total, comparado por ele a um "apocalipse zumbi", onde a ameaça se torna invisível e indistinguível.
O escritor enfatizou que a sobrevivência em um cenário de desconexão forçada dependerá exclusivamente da capacidade de discernimento individual para diferenciar o certo do errado e identificar se a pessoa é vítima ou algoz do sistema.
Perspectiva geracional e rotina
Aos 74 anos, Pérez-Reverte critica a forma como o Ocidente isola os idosos, afirmando que essa prática elimina orientações essenciais para lidar com crises e a dor. Essa visão é moldada por sua rotina rigorosa em sua residência nas montanhas, a 30 quilômetros de Madrid, onde concilia natação, caminhadas e jornadas de escrita que variam entre cinco e dez horas diárias.
A preocupação do autor estende-se especialmente aos jovens e à sua própria filha, de 40 anos, devido à crença equivocada de que a tecnologia é infalível. Ele questiona a capacidade de reação da sociedade diante de um apagão tecnológico prolongado — de um mês a um ano —, argumentando que a entrega da autonomia ao raciocínio dos algoritmos dissolve a independência humana e deixa a população exposta a falhas estruturais básicas.