Ataque com drone atinge usina nuclear de Barakah nos Emirados Árabes Unidos
Um ataque com drone atingiu um gerador externo da usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, neste domingo (17). Autoridades de Abu Dhabi informaram que não houve feridos nem vazamento radioativo e que as unidades operam normalmente
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Um ataque com drone atingiu a usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, neste domingo (17), provocando um incêndio em um gerador elétrico na área externa da instalação. O episódio ocorreu em um momento de instabilidade no cessar-fogo da guerra envolvendo o Irã e representa a primeira ofensiva contra a planta nuclear desde o início do conflito.
Embora o governo dos Emirados Árabes Unidos não tenha atribuído oficialmente a responsabilidade pela ação e nenhum grupo tenha assumido a autoria, as suspeitas recaíram sobre o Irã, que intensificou ameaças ao país nos últimos dias. Em resposta ao conflito, os Emirados Árabes Unidos chegaram a receber tropas e sistemas de defesa antimísseis Domo de Ferro, provenientes de Israel.
Autoridades de Abu Dhabi e o órgão regulador nuclear local informaram que não houve feridos nem vazamento radioativo, assegurando que a segurança da instalação foi preservada e que todas as unidades operam normalmente. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ainda não se manifestou sobre o ocorrido.
Localizada em uma zona desértica no oeste de Abu Dhabi, próxima à fronteira com a Arábia Saudita, a usina de Barakah é a primeira planta nuclear comercial do mundo árabe e a única da Península Arábica. Construída com apoio da Coreia do Sul por US$ 20 bilhões e em operação desde 2020, a instalação supre cerca de 25% da demanda energética da federação. Para evitar riscos de proliferação nuclear, o país importa o urânio utilizado e, por meio do acordo "123 agreement" com os Estados Unidos, abdicou do reprocessamento de combustível e do enriquecimento doméstico do mineral.
O ataque acontece em um cenário de escalada regional. O Irã mantém o controle sobre o Estreito de Ormuz, rota por onde circulava aproximadamente um quinto do petróleo e gás natural global antes da guerra, o que impacta o fornecimento energético mundial. Paralelamente, os Estados Unidos mantêm o bloqueio a portos iranianos e as negociações para consolidar o cessar-fogo não apresentam avanços.
A tensão é evidenciada por declarações do presidente Donald Trump, que sugeriu a possibilidade de retomada dos confrontos, e por movimentações na mídia estatal iraniana. Em transmissões ao vivo, apresentadores de televisão apareceram armados com rifles Kalashnikov. Em um dos casos, o apresentador Hossein Hosseini recebeu treinamento de um integrante da Guarda Revolucionária e simulou um disparo contra a bandeira dos Emirados Árabes Unidos. Outra apresentadora, Mobina Nasiri, afirmou estar pronta para sacrificar a vida pelo país após receber uma arma vinda de uma manifestação em Teerã.
A instabilidade no Oriente Médio é agravada pelo aumento dos confrontos entre Israel e o grupo Hezbollah, no Líbano, e por ataques recentes na região do Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz. O uso de usinas nucleares como alvos em guerras tornou-se mais frequente globalmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. No contexto do conflito atual, Teerã relatou ataques à usina de Bushehr, administrada pela Rússia, embora não tenham sido registrados vazamentos ou danos diretos ao reator.