Ataque com veículo deixa uma morta e 29 feridos na Marcha do Orgulho em Berlim
Um ataque com van na Marcha do Orgulho LGBTQ+ em Berlim matou uma polonesa de 65 anos e feriu 29 pessoas no sábado (25/07). O suspeito, Abdul B., de 21 anos e com ligações islamistas, morreu após confrontar a polícia no domingo. O caso é investigado como crime contra a segurança interna e terrorismo
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Um ataque com veículo resultou na morte de uma mulher polonesa de 65 anos e deixou outras 29 pessoas feridas, algumas em estado grave, durante a Marcha do Orgulho LGBTQ+ em Berlim. O incidente ocorreu por volta das 22h de sábado (25/07), nas proximidades do Portão de Brandemburgo, no momento em que os participantes do evento anual, denominado Christopher Street Day (CSD), se dispersavam perto do parque Tiergarten.
A Polícia informou que uma van branca trafegava pela rua Ahornsteig, paralela à Lennéstrasse, quando atropelou a multidão e colidiu contra uma árvore. O condutor abandonou o veículo e fugiu do local. A vítima fatal havia viajado para a capital alemã acompanhada da filha, que sobreviveu ao atropelamento.
Investigação e suspeito
O principal suspeito foi identificado como Abdul B., um cidadão alemão de 21 anos, filho de mãe libanesa, com histórico criminal e ligações com o meio islamista em Berlim. O jovem foi morto na noite de domingo após avançar contra agentes policiais empunhando uma arma branca; ele não resistiu aos ferimentos, mesmo após o socorro médico.
O histórico de Abdul B. revela que ele foi detido no Líbano em novembro de 2025, acusado de tentar se integrar a combatentes do Estado Islâmico (EI) na Síria. Ao retornar à Alemanha, foi condenado por preparar um ato de violência contra a segurança do Estado. Embora o Ministério Público tenha solicitado quase três anos de prisão, a Justiça aplicou a legislação para jovens infratores, resultando em uma sentença de um ano e dez meses com suspensão condicional da pena, o que permitiu sua libertação.
Desde maio deste ano, o simpatizante do EI estava em liberdade. Apesar de o Ministério Público ter recorrido da decisão e de ter havido interceptações telefônicas, ele não era monitorado permanentemente. O suspeito deveria ter frequentado 26 sessões em um centro de desradicalização, mas havia comparecido a apenas duas. Uma nova sessão estava agendada para esta segunda-feira.
Dinâmica do crime e segurança
A van utilizada no atentado era particular e foi apreendida danificada perto do local do crime. Investigadores analisam se houve uma segunda fase no ataque, na qual o agressor teria descido do veículo para atacar pessoas com facões. Há divergências nos depoimentos de testemunhas sobre se houve apenas um ou mais agressores.
O caso agora envolve a cidade de Karlsruhe, onde ficam o Tribunal Federal de Justiça e o Tribunal Constitucional Federal, instâncias que geralmente conduzem investigações de crimes graves contra a segurança interna, como o terrorismo.
Rafael Bossong, do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP), explicou que a facilidade de acesso do veículo à área da parada pode ter ocorrido devido à flexibilização das restrições de trânsito no Tiergarten, já que o evento estava terminando. Bossong destacou que existem mais de 9 mil radicais islâmicos com tendências violentas na Alemanha e que ataques por atropelamento tornaram-se uma estratégia comum de grupos islamistas em eventos na Europa.
Reações políticas
O chanceler federal, Friedrich Merz, afirmou que a violência começa com a intolerância e a discriminação, pedindo que a população não se deixe intimidar. Merz declarou que a resposta ao ataque brutal deverá ir além de palavras, questionando como um indivíduo com o perfil do suspeito conseguiu acessar a manifestação sem impedimentos.
A Alemanha possui um histórico recente de atropelamentos em massa com mortes, ocorridos em Berlim (2016), Trier (2020), Magdeburg (2024) e Munique (2025). O tema foi central nas discussões da campanha para as eleições parlamentares no início de 2025 e levou as autoridades a instalarem barreiras físicas em mais de 3 mil feiras de Natal no final daquele ano.