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Ataques israelenses matam quatro pessoas no Líbano após anúncio de acordo de cessar-fogo

04 de Junho de 2026 às 12:28

Ataques israelenses mataram quatro pessoas no Líbano nesta quinta-feira, com mortes registradas em Maaroub e no Vale do Bekaa. Um soldado sérvio da UNIFIL morreu e dois militares ficaram feridos em disparo de morteiro próximo a Marjayoun. O conflito soma mais de 3,5 mil mortos no Líbano e 30 vítimas em Israel

Ataques israelenses resultaram na morte de ao menos quatro pessoas no Líbano nesta quinta-feira, em meio a uma nova escalada de violência que ocorre logo após o anúncio de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah. O conflito também vitimou um soldado de paz sérvio da missão UNIFIL, morto por um ataque de morteiro próximo a Marjayoun, enquanto outros dois militares ficaram feridos. A ONU e o Ministério da Defesa da Sérvia não identificaram a autoria do disparo.

A ofensiva israelense, que já ocupa cerca de um quinto do território libanês — o maior avanço desde o fim da ocupação entre 1982 e 2000 —, é justificada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como necessária para neutralizar a ameaça do Hezbollah. Em contrapartida, o líder do grupo militante, Naim Qassem, afirmou que a segurança no norte de Israel depende da interrupção dos bombardeios a aldeias libanesas.

No Líbano, a Agência Nacional de Notícias relatou que um ataque com drone matou um motociclista e feriu quatro pessoas em Maaroub, enquanto bombardeios no Vale do Bekaa, na vila de Sohmor, deixaram três mortos e outros feridos. As forças armadas israelenses orientaram a população a evitar áreas do sul do país, onde alegam estar atacando instalações do Hezbollah.

O cenário humanitário registra mais de 3,5 mil mortos no Líbano e 1,2 milhão de deslocados, enquanto Israel contabiliza 27 soldados e três civis mortos. A população local, como em Sidon, manifesta ceticismo quanto à eficácia dos acordos de paz, citando o ciclo constante de deslocamentos e a falta de ações concretas.

O cessar-fogo mais recente, mediado pelos Estados Unidos, exige que o exército libanês assuma o controle de zonas de segurança, proibindo a entrada de militantes. O acordo classifica o Hezbollah como inimigo de Israel, dos EUA e do próprio Líbano, demandando seu desmantelamento. Contudo, o governo libanês não possui meios para desarmar o grupo à força. O Hezbollah condiciona sua adesão à trégua à cessação dos ataques e à retirada total das tropas israelenses.

O presidente libanês, Joseph Aoun, definiu o acordo como a última oportunidade para uma paz abrangente, condicionando a implementação à resposta de facções internas e às definições de Donald Trump sobre a execução do plano. Trump, por sua vez, minimizou o impasse diplomático, sugerindo que, no Oriente Médio, cessar-fogos significam apenas a redução da intensidade dos disparos.

A instabilidade se estende ao Irã, que exige que qualquer trégua inclua o Líbano e a retirada de Israel para as posições iniciais do conflito, quando controlava cinco pontos estratégicos na fronteira. O impasse diplomático reflete-se no fechamento do Estreito de Ormuz, ponto por onde transitavam 20% do petróleo e gás mundiais, gerando impactos na economia global.

Nessa região, Estados Unidos e Irã trocam ataques. Recentemente, um aeroporto comercial no Kuwait, utilizado para logística americana, foi alvo de um ataque que matou um indiano e feriu mais de 60 pessoas, embora o Irã negue a autoria. Os EUA focam em ameaças à navegação comercial, enquanto o Irã ataca países do Golfo que abrigam tropas americanas.

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