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Aumento de óbitos em campo de refugiados no Congo levanta suspeitas de surto de ebola

20 de Junho de 2026 às 09:03

Pelo menos 30 pessoas morreram desde maio no campo de deslocados de Kigonze, na República Democrática do Congo, com cinco casos confirmados de ebola. A província de Ituri concentra mais de 90% dos cerca de 900 casos do surto atual. O financiamento internacional para saneamento e higiene no país foi reduzido para US$ 38 milhões entre 2024 e 2025

Aumento de óbitos em campo de refugiados no Congo levanta suspeitas de surto de ebola
Reuters

A República Democrática do Congo enfrenta um aumento atípico de óbitos no campo de deslocados de Kigonze, localizado em Bunia, no nordeste do país. Desde o início de maio, pelo menos 30 pessoas morreram no local, onde vivem mais de 15 mil refugiados de conflitos armados. A gravidade da situação é evidenciada pelo volume de sepultamentos: enquanto a média mensal do campo era de uma a três mortes, apenas nesta última semana dez moradores foram enterrados.

A suspeita de que o vírus ebola esteja circulando sem a devida detecção na região é reforçada por diagnósticos positivos confirmados em algumas das vítimas. Amostras coletadas de cinco pacientes atestaram a presença da doença, e outras fontes humanitárias confirmaram casos positivos entre os mortos recentes. Muitos dos falecidos apresentavam sintomas característicos, como vômitos, dor de cabeça e febre, incluindo crianças e uma mulher grávida.

O controle da epidemia, declarada oficialmente em 15 de maio, embora com óbitos anteriores, é dificultado pela resistência de familiares e moradores em permitir a realização de testes em pacientes e corpos. Esse cenário, somado à dificuldade de rastrear contatos, amplia o risco de que cadeias de transmissão permaneçam invisíveis. A província de Ituri, onde se situa Bunia, concentra mais de 90% dos aproximadamente 900 casos confirmados do surto atual, com registros de mortes também em outros campos de deslocados.

A propagação de doenças infecciosas é favorecida pelas condições precárias de Kigonze, onde famílias residem em barracas improvisadas com menos de um metro de distância entre si. A infraestrutura sanitária é insuficiente, com banheiros que transbordam frequentemente, facilitando a transmissão do ebola, que ocorre pelo contato com fluidos corporais, como fezes, sangue e vômito.

A crise sanitária coincide com uma queda drástica no financiamento internacional para água, saneamento e higiene na República Democrática do Congo. Entre 2024 e 2025, os recursos para essas ações foram reduzidos para cerca de US$ 38 milhões, pouco mais da metade do montante do ano anterior. Das verbas solicitadas pelas agências humanitárias para este ano, que somam US$ 80 milhões, apenas 21% foram efetivamente repassados.

Como consequência direta desses cortes, programas de construção de banheiros e abastecimento de água para populações deslocadas — que no leste do Congo superam 5 milhões de pessoas — foram interrompidos ou reduzidos. Atualmente, as autoridades de saúde tentam expandir a testagem e o monitoramento de contatos, mas enfrentam a instabilidade regional e a resistência local.

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