Autoridades da Saxônia transferem detenta de direita para prisão masculina após suspeita de fraude identitária
Autoridades da Saxônia transferiram Marla-Svenja Liebich, condenada por difamação e incitação ao ódio, para uma prisão masculina. A decisão ocorreu após a detenta, que mudou legalmente seu sexo no final de 2024, ser extraditada da República Tcheca
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As autoridades da Saxônia transferiram Marla-Svenja Liebich, figura proeminente do extremismo de direita no leste da Alemanha, de uma penitenciária feminina para uma prisão masculina. A decisão, anunciada nesta quinta-feira (16/07), ocorre após suspeitas de que a detenta teria alterado sua identidade de gênero apenas para evitar o cumprimento de pena em regime masculino.
Liebich, de 55 anos, foi sentenciada a um ano e meio de reclusão por crimes de difamação e incitação ao ódio étnico. Após a condenação, a pessoa, que anteriormente utilizava o nome Sven, registrou-se legalmente como mulher no final de 2024, aproveitando-se de uma reforma legislativa que simplificou a mudança de sexo no registro civil.
Fuga e Extradição
A detenta estava foragida desde agosto do ano passado, após ignorar a ordem de apresentação em uma unidade feminina. Liebich foi localizada e capturada no início de abril, na República Tcheca.
A extradição para a Alemanha foi concretizada na última quarta-feira, depois que a Justiça tcheca rejeitou os argumentos da defesa, que alegava risco à vida caso a transferência para uma prisão masculina fosse efetuada. No momento da captura, relatos do jornal Mitteldeutsche Zeitung indicam que Liebich apresentava a cabeça raspada e trajava roupas masculinas.
Controvérsias Jurídicas e a Lei de Autodeterminação
O caso gerou forte debate sobre a Lei de Autodeterminação de Gênero, implementada em novembro de 2024. A norma permite a alteração de nome e sexo em cartório via autodeclaração, dispensando a necessidade de laudos psiquiátricos ou tratamentos hormonais.
A conduta de Liebich é vista por críticos como uma tentativa de ridicularizar a legislação. O histórico da detenta reforça essa percepção: enquanto se identificava como Sven, manifestava-se abertamente contra a "ideologia de gênero", insultava participantes de paradas LGBTQ+ e comercializava produtos com frases contrárias à existência de crianças trans.
Repercussões e Medidas Administrativas
A secretária de Justiça da Saxônia, Constanze Geiert, defendeu a transferência para a instituição masculina, afirmando que a medida prioriza a segurança das mulheres detentas e que fraudes não devem prosperar no Estado de Direito. Geiert argumentou que as condições da privação de liberdade são determinadas pelo Estado, e não pelo preso, defendendo a revisão da lei atual.
No âmbito jurídico e midiático, o caso teve desdobramentos relevantes:
* A Justiça de Halle analisa um processo para reverter a autodeclaração de gênero de Liebich.
* O Conselho de Imprensa da Alemanha dispensou uma denúncia contra a revista Der Spiegel, considerando provável que a mudança de dados civis tenha ocorrido de má-fé.
* O jornalista Julian Reichelt venceu uma ação judicial movida por Liebich, tendo assegurado o direito de afirmar que a detenta não é mulher.
Diante do potencial uso indevido da legislação, o governo do chanceler conservador Friedrich Merz já anunciou que pretende revisar a Lei de Autodeterminação.