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Balanço oficial aponta mais de 5.300 mortos após terremotos no norte da Venezuela

25 de Julho de 2026 às 06:28

Um terremoto duplo no norte da Venezuela deixou mais de 5.300 mortos e cerca de 29 mil desaparecidos. Mais de 15 países mobilizaram recursos, incluindo a Unidade Militar de Emergência da Espanha, que enviou cães especializados para a recuperação de corpos

Um mês após o terremoto duplo que atingiu o norte da Venezuela em 24 de junho, com magnitudes de 7,2 e 7,5, o balanço oficial aponta mais de 5.300 mortos. A tragédia, que concentrou seus maiores impactos no estado de La Guaira, próximo a Caracas, ainda deixa um rastro de incertezas: enquanto as autoridades mantêm silêncio sobre os desaparecidos, registros civis estimam que mais de 29 mil pessoas não foram localizadas, incluindo 139 espanhóis.

Atualmente, as buscas nos escombros mudaram de natureza. O esforço frenético para salvar sobreviventes, que marcou os primeiros dias, deu lugar à tentativa de recuperar corpos para as famílias.

A atuação de equipes caninas no resgate

Para enfrentar a magnitude do desastre, mais de 15 países mobilizaram recursos. Entre eles, a Unidade Militar de Emergência (UME) da Espanha enviou oito cães e seus respectivos treinadores. A eficácia desses animais é considerada superior a ferramentas técnicas, como câmeras e geofones, devido à rapidez e precisão na localização de vítimas.

A operação na Venezuela apresentou desafios ambientais severos. A umidade extrema e o calor intenso dificultaram o trabalho dos cães, pois a necessidade de regular a temperatura corporal — mantendo a boca aberta para respirar — prejudica a precisão do faro. Para mitigar isso, os treinadores implementaram percursos mais curtos, trocas rápidas de animais e hidratação constante.

Além do clima, os cães enfrentaram distrações olfativas, como o cheiro de alimentos (especialmente arepas e frango) deixados por equipes de resgate, e riscos físicos, como cortes nas patas ao navegar por buracos e espaços vazios nos escombros.

Especialização e treinamento de elite

Os cães de resgate, como o Border Collie Tsunami, que localizou diversas pessoas vivas, são tratados como atletas de elite. Na base da UME, em Torrejón de Ardoz, o treinamento começa entre os três e quatro meses de idade, focando em socialização e obediência.

A metodologia baseia-se em transformar o trabalho em jogo, utilizando recompensas como brinquedos específicos ou comida. A especialização ocorre em duas frentes distintas:

  • Busca de sobreviventes: O cão aprende a rastrear compostos orgânicos voláteis (COV) emitidos pelo corpo humano, realizando movimentos em zigzag até localizar a vítima.
  • Busca de falecidos: A partir do terceiro dia, o corpo libera partículas de decomposição orgânica. O animal é treinado com amostras reais de diferentes estágios de decomposição para responder especificamente a esse odor.

Para simular cenários reais, a UME utiliza estruturas desabadas onde os cães praticam a localização de pessoas de diferentes idades, gêneros e etnias, já que fatores como perfumes, detergentes e alimentação alteram o cheiro humano.

Logística e gestão da frota canina

A UME mantém batalhões em Madrid, Sevilha, Valencia, Zaragoza e León, além de um destacamento nas Ilhas Canárias. Os animais, geralmente das raças labrador retriever, pastor alemão e malinois, passam por rigorosos testes de aptidão e veterinários, além de possuírem a certificação internacional INSARAG para atuação em desastres urbanos.

A rotina de transporte para missões internacionais também é rigorosa, incluindo a dieta específica, medicamentos e controle de estresse para evitar que a exposição excessiva a estranhos afete o desempenho do animal.

A aposentadoria dos cães ocorre geralmente aos oito anos, podendo ser estendida por mais um. Ao final da carreira, o animal costuma ser adotado pelo próprio guia, consolidando o vínculo emocional estabelecido durante os anos de serviço.

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