Bombardeios dos Estados Unidos contra o Irã interrompem a reabertura do Estreito de Ormuz
Bombardeios dos Estados Unidos contra 170 alvos no Irã interromperam a reabertura do Estreito de Ormuz, reduzindo o tráfego de navios-tanque de 21 para 6 embarcações. A ofensiva deixou 14 mortos e 78 feridos, enquanto Teerã retaliou com ataques a instalações americanas no Kuwait, Catar, Bahrein e Jordânia. O presidente Donald Trump declarou o fim do acordo de paz com o governo iraniano
Bombardeios dos Estados Unidos contra o Irã interromperam a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e por onde transitavam 20% do petróleo e gás mundial antes do conflito. A Marinha da Guarda Revolucionária iraniana informou que o fluxo de embarcações, sob supervisão de Teerã, havia recuperado cerca de 50% do volume anterior à guerra nas últimas duas semanas, mas a progressão foi estagnada pelas novas ofensivas americanas.
A escalada militar recente foi desencadeada por ataques a três navios que navegavam por uma rota alternativa próxima ao litoral de Omã. Em resposta, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) realizou operações aéreas entre terça (7) e quarta-feira (8), atingindo 170 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana em cinco províncias. A ofensiva destruiu sistemas de defesa aérea, vigilância costeira, depósitos de mísseis, drones e infraestrutura logística. O governo do Irã reportou 14 mortos e 78 feridos nos ataques.
O Irã, que utiliza o controle da costa norte e de ilhas no estreito como instrumento de pressão política e busca o reconhecimento de sua soberania sobre a rota, retaliou com drones contra instalações dos EUA no Golfo Pérsico. Foram atingidos sistemas de defesa Patriot no Kuwait, uma antena de satélite no Catar e depósitos de combustível no Bahrein. Além disso, Teerã disparou 10 mísseis balísticos contra a base de Azraq, na Jordânia, embora o governo jordaniano tenha interceptado oito deles, sem registrar danos ou vítimas.
O impacto no tráfego marítimo foi imediato. O número de navios-tanque que atravessaram a hidrovia caiu de 21, na quarta-feira, para apenas 6 nesta quinta (9). A Organização Marítima Internacional alertou que 6 mil marinheiros seguem retidos no Golfo Pérsico e condenou a retomada das hostilidades. O cenário contrasta com meados de junho, quando um acordo de cessar-fogo havia elevado o trânsito ao nível de um terço do fluxo de tempos de paz.
A tensão diplomática atingiu o ápice com a declaração do presidente Donald Trump, em Ancara, na Turquia. Ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump afirmou que o acordo de paz com Teerã chegou ao fim. Enquanto isso, o Irã realizou o sepultamento de seu líder supremo, Ali Khamenei, morto durante a guerra. A Guarda Revolucionária alertou que qualquer nova ação dos Estados Unidos resultará em uma resposta esmagadora.