Caminho de Santiago registra mais de 530 mil peregrinos em 2025
O Caminho de Santiago registrou mais de 530 mil caminhantes e ciclistas em 2025, com predominância de espanhóis, seguidos por norte-americanos, italianos e alemães. Os dados do Escritório do Peregrino indicam que 44% dos viajantes são motivados pela fé, enquanto brasileiros ocupam a 12ª posição no ranking
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A rota do Caminho de Santiago, que liga o sul da França à catedral de Santiago de Compostela, na Galícia, Espanha, consolidou-se como um dos maiores fenômenos de mobilidade e espiritualidade do mundo. O trajeto, que abrange cerca de 800 quilômetros, registrou um crescimento expressivo no volume de visitantes: enquanto há quatro décadas o fluxo era reduzido, em 2025 o número de caminhantes e ciclistas superou a marca de 530 mil pessoas.
De acordo com estatísticas do Escritório do Peregrino, a motivação dos viajantes é diversificada. Cerca de 44% realizam a jornada exclusivamente por fé, 32% por razões mistas entre cultura e religião, e 18% buscam apenas turismo e cultura. No ranking de nacionalidades, os espanhóis lideram com 228 mil peregrinos, seguidos por norte-americanos (44 mil), italianos (26 mil) e alemães (24 mil). Os brasileiros ocupam a 12ª posição, com quase 8,5 mil registros no último ano.
A influência cultural e a figura de São Tiago
A popularização contemporânea da rota foi impulsionada, em parte, por figuras da literatura. Há 40 anos, o escritor Paulo Coelho percorreu o trajeto, experiência que fundamentou as obras O Diário de Um Mago e O Alquimista, elevando a rota a um status de ícone místico-pop. Atualmente, a motivação digital, como a exposição em redes sociais, também figura como um forte atrativo para os novos peregrinos.
A base histórica do destino remonta a São Tiago Maior, figura do cristianismo primitivo e membro do círculo íntimo de Jesus. Relatos bíblicos, como os do livro de Atos dos Apóstolos, descrevem Tiago como o primeiro mártir entre os 12 apóstolos, tendo sido decapitado por ordem de Herodes Agripa 1º na Judeia, entre os anos 41 e 44.
Entre a fé e a historiografia
Apesar da veneração ao túmulo do santo na Espanha, existe um abismo geográfico de 5.716 quilômetros entre Jerusalém, local de sua execução, e Santiago de Compostela. A tradição de que o corpo teria sido transportado para a Galícia ganhou força na Idade Média, entre os séculos 7º e 9º, mas carece de comprovação documental.
Historiadores apontam que, no período romano, era comum que executados não tivessem sepultamento para evitar que seus túmulos se tornassem centros de peregrinação. No entanto, a Igreja Católica trata o local como um memorial em honra ao santo, legitimando a tradição secular de veneração sem definir as relíquias como um dogma de fé.
A fundação da catedral ocorreu sob o comando do rei das Astúrias, Afonso 2º, após um bispo ter localizado um sepulcro indicado por luzes misteriosas. Analistas sugerem que a descoberta serviu a propósitos políticos da época, conferindo prestígio social e militar ao reino das Astúrias.
Impacto socioeconômico e espiritual
Desde a Idade Média, Compostela, junto a Roma e Jerusalém, tornou-se um centro nevrálgico de intercâmbio artístico, cultural e econômico na Europa. A relevância do trajeto é evidenciada por guias medievais de hospedarias e rotas, incluindo registros de peregrinações de figuras como Francisco de Assis.
Atualmente, o Caminho de Santiago não possui uma rota única, mas diversos trajetos que convergem para a Galícia. Para muitos, a jornada transcende a religiosidade, funcionando como um processo de conversão pessoal e encontro humano. Esse impacto é visível em casos de brasileiros que, após a experiência, mudaram permanentemente de vida para empreender no setor de logística, hospedagem e transporte de peregrinos na região.