Cancelamento de reunião diplomática agrava instabilidade no Estreito de Ormuz e eleva preços do petróleo
O cancelamento de reunião entre países do Golfo, Irã e Omã sobre o Estreito de Ormuz coincidiu com ataques de houthis a bases e ao oleoduto da Arábia Saudita. A instabilidade elevou os preços do petróleo bruto e do diesel, enquanto o Irã impôs restrições a 77 navios

O cancelamento de uma reunião entre países árabes do Golfo Pérsico, Irã e Omã, prevista para esta segunda-feira (14), agravou a instabilidade no Estreito de Ormuz. O encontro deveria tratar da reabertura da rota marítima, considerada a mais importante do mundo para o transporte de petróleo, que permanece praticamente fechada desde os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã, ocorridos no final de fevereiro.
Ofensivas no Iêmen e Arábia Saudita
Paralelamente ao impasse diplomático, os houthis, aliados do Irã, intensificaram as ações militares contra a Arábia Saudita. Nesta segunda-feira, o grupo disparou drones e dezenas de mísseis contra a base aérea de Khamis Mushait, localizada próxima à fronteira. A ofensiva atingiu depósitos de munição, pistas de decolagem, sistemas de radar e hangares, sendo justificada pelos houthis como resposta a ataques aéreos sauditas recentes no Iêmen.
As autoridades sauditas emitiram alertas de emergência em Khamis Mushait e em outras três cidades do Sul do país. A escalada de violência inclui a tomada de uma ilha na foz do Mar Vermelho, ocorrida na sexta-feira (11), e a sabotagem do oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita. Esta infraestrutura é a principal alternativa para o escoamento de petróleo do Oriente Médio sem a necessidade de atravessar o Estreito de Ormuz.
Impactos no mercado global de energia
A interrupção do fluxo de petróleo gerou reações imediatas na economia global. Com a reabertura do mercado nesta segunda-feira, os preços do petróleo bruto subiram mais de 3%, enquanto o diesel nos Estados Unidos alcançou a marca recorde de US$ 6,23 por galão.
Imagens de satélite confirmam incêndios em trechos do oleoduto saudita. Caso a estrutura não seja reativada nos próximos dias, a estimativa é que o abastecimento global de petróleo sofra uma redução de até 4%.
Restrições marítimas impostas pelo Irã
Em meio ao cenário de tensão, o Irã publicou uma relação de 77 navios acusados de violar os protocolos de operação no Estreito de Ormuz. O governo iraniano determinou que as embarcações listadas estarão sujeitas a confisco, detenção ou multas em passagens futuras. A medida estende-se a qualquer navio que auxilie as embarcações citadas por meio de transferências de carga.