Caracol maçã ameaça a produção global de arroz com infestações nos Estados Unidos e Europa
A proliferação do caracol maçã ameaça a produção global de arroz, com impactos graves nos Estados Unidos e na Espanha. A praga ataca plantas jovens, afetando mercados que movimentam até 7 bilhões de euros anualmente. O controle envolve remoção manual, armadilhas e a recomendação de plantio seco
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A proliferação do Pomacea canaliculata, conhecido como caracol maçã, tornou-se um risco crítico para a produção global de arroz, com impactos severos em regiões agrícolas dos Estados Unidos e da Europa. O molusco, que se multiplica rapidamente em áreas alagadas, ataca especialmente as plantas jovens, comprometendo a produtividade e elevando os custos operacionais no campo.
Nos Estados Unidos, a infestação é particularmente grave nos estados do Texas e da Louisiana, polos fundamentais para o cultivo do cereal. A ameaça atinge um mercado movimentado anualmente entre 6 bilhões e 7 bilhões de euros, sendo que aproximadamente 45% de toda a produção norte-americana é voltada para a exportação.
Desafios no controle da praga
A natureza invasora do caracol maçã torna a erradicação quase impossível após o estabelecimento de populações numerosas. Por isso, as estratégias atuais focam na mitigação de danos e no controle populacional. O manejo exige a combinação de diversas táticas, como:
- Uso de redes e armadilhas;
- Remoção manual dos exemplares;
- Intervenções químicas, embora estas possuam limitações em certos sistemas de produção.
Para reduzir a vulnerabilidade das lavouras, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e o LSU AgCenter recomendam a alteração do método de plantio. A orientação é realizar o plantio seco antes da inundação dos campos, permitindo que as plantas de arroz se desenvolvam mais e ganhem resistência antes da exposição aos moluscos.
Impacto global e fatores climáticos
A crise não se limita ao continente americano. Na Espanha, a espécie foi identificada pela primeira vez em 2009, no rio Ebro, em Tarragona, onde já causou prejuízos significativos às plantações de arroz devido ao consumo de mudas jovens.
A dispersão e a reprodução do Pomacea canaliculata são impulsionadas por fatores ambientais, como a ocorrência de chuvas intensas e invernos mais amenos. Esse cenário obriga produtores e autoridades a investirem em monitoramento constante e detecção precoce, já que a consolidação da espécie no ecossistema agrícola altera a viabilidade econômica e a gestão da produção de arroz em escala global.