Cerca de 20 mil marinheiros seguem retidos no estreito de Ormuz devido a conflitos regionais
Cerca de 20 mil marinheiros e 1.600 embarcações estão retidos no estreito de Ormuz devido ao conflito entre Irã e a coalizão Estados Unidos e Israel. O bloqueio iraniano causou 11 mortes, escassez de suprimentos e aumento no custo da água potável. Apenas 750 navios atravessaram a região desde fevereiro
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Cerca de 20 mil marinheiros permanecem retidos no estreito de Ormuz e em áreas adjacentes desde 28 de fevereiro, consequência do conflito entre Irã e a coalizão formada por Estados Unidos e Israel. A região, que historicamente concentra a passagem de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo, tornou-se cenário de operações militares com a presença de mísseis, minas subaquáticas, drones, caças, submarinos e navios de guerra.
De acordo com a Organização Marítima Internacional (OMI), 1.600 embarcações estão impedidas de partir. O bloqueio foi instaurado pelo Irã logo após o início das hostilidades, condicionando a travessia da única saída do Golfo à autorização expressa do governo iraniano.
A instabilidade persiste mesmo após a tentativa de cessar-fogo em 8 de abril. Embarcações que tentaram aproveitar a abertura da passagem, como o navio Banglar Joyjatra — de bandeira de Bangladesh e carregado com 37 mil toneladas de fertilizantes para a África do Sul —, foram forçadas a recuar. O Irã havia anunciado a reabertura do estreito para navios comerciais, em consonância com o cessar-fogo entre Israel e Líbano, mas reverteu a decisão após a manutenção do bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos.
A crise humanitária a bordo dos navios intensifica-se com a chegada do verão, com temperaturas que podem atingir 45°C. Embora existam serviços de abastecimento em Dubai, Abu Dhabi e Kuwait, as entregas tornaram-se imprevisíveis. O custo da água potável sofreu a alta mais drástica: o valor de 180 toneladas de água, que oscilava entre US$ 1.500 e US$ 2.000, saltou para US$ 11 mil. Alimentos como verduras e lentilhas também apresentam escassez.
A segurança das tripulações é crítica. A OMI confirmou 39 incidentes, resultando em 11 mortes e um desaparecido. Relatos de marinheiros descrevem a tensão constante e a proximidade de ataques, como o ocorrido no porto de Jebel Ali, em Dubai.
No âmbito financeiro e trabalhista, as empresas de navegação, pressionadas por prejuízos, alteraram a política de remuneração. Se no início do conflito eram oferecidos salários maiores para reter os profissionais, agora as companhias reduzem benefícios e salários, permitindo que funcionários deixem seus postos. A situação gera incerteza sobre a substituição de tripulações, cujos contratos já venceram, e sobre a disponibilidade de mão de obra qualificada para o pós-guerra.
Até o momento, a empresa de dados Kpler contabilizou 750 navios que conseguiram atravessar o estreito desde fevereiro. A maioria dessas embarcações pertence a países como China, Índia e Paquistão, que teriam utilizado negociações diplomáticas diretas com o Irã.
No caso do Banglar Joyjatra, o governo de Bangladesh e a estatal Bangladesh Shipping Corporation (BSC) tentam viabilizar a saída do navio. A tentativa inicial de pagar a taxa exigida pelo Irã foi descartada após a ameaça de sanções impostas pelos Estados Unidos a qualquer nação que efetuasse tal pagamento.