China acelera integração de robôs humanoides em campos de treinamento para criar equipes de guerra
O Exército Popular de Libertação da China integra robôs humanoides em treinamentos para criar equipes de guerra. O projeto prevê o uso de máquinas para varredura de edifícios e tarefas de risco, com a previsão de disponibilidade tecnológica em cinco a dez anos
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F864%2F904%2Fc5f%2F864904c5f56c687c838c74121c70e7da.jpg)
O Exército Popular de Libertação (EPL) da China está acelerando a integração de robôs humanoides em seus campos de treinamento para a criação de equipes de guerra robóticas. A diretriz, impulsionada por publicações do PLA Daily, surge após competições globais de robótica, transformando a capacidade de locomoção dessas máquinas em espaços projetados para humanos — como subir escadas e abrir portas — em potencial vantagem tática militar.
Estratégias de combate urbano e infraestrutura
A infraestrutura para a implementação desses sistemas em conflitos bélicos está sendo montada por Pequim através de patentes, licitações militares e estudos acadêmicos. Pesquisadores da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa (NUDT) já projetaram cenários de combate urbano onde grupos de seis robôs, combinando modelos humanoides, cães robóticos e veículos não tripulados, realizariam a varredura de edifícios ocupados por inimigos.
Embora a tecnologia seja prevista para estar disponível em um prazo de cinco a dez anos, a aplicação prática enfrenta desafios críticos:
- Dilemas éticos: A ausência de regras claras sobre o armamento e a interação com civis em ambientes urbanos.
- Limitações técnicas: Alto consumo de energia, fragilidade estrutural e perda de desempenho em terrenos irregulares ou sob interferências de comunicação.
- Complexidade cognitiva: A dificuldade de a máquina distinguir obstáculos de ameaças em ambientes caóticos.
Vantagens do design e a influência global
A escolha pelo formato humanoide justifica-se pela versatilidade de mãos e pés, que permitem a mobilidade e a manipulação de objetos em locais como navios, túneis ou prédios danificados. Para missões logísticas ou de reconhecimento simples, a China ainda utiliza sistemas com rodas ou quatro pernas, que possuem menor custo e maior facilidade de implantação massiva.
Esse movimento acompanha uma tendência global acelerada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, que normalizou o uso de sistemas autônomos. Nos Estados Unidos, por exemplo, já existem competições para desenvolver humanoides focados em vigilância e remoção de obstáculos em cidades.
Autonomia, controle e teleoperação
A China detém uma vantagem industrial significativa, com fabricantes locais concentrando cerca de 95% dos envios mundiais de robôs humanoides em 2025, segundo a BofA Global Research. Para mitigar a fragilidade da autonomia total, o conglomerado estatal Norinco apresentou o Fuxi, um robô de tamanho real operado via teleoperação. Esse sistema permite que um humano tome decisões complexas remotamente, reduzindo a exposição do soldado.
Apesar de a China afirmar que as armas com inteligência artificial devem permanecer sob controle humano, há preocupações sobre a eficácia desse controle em decisões de segundos. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha alerta que sistemas autônomos podem falhar ao interpretar sinais de rendição, que dependem de contexto e intenção humana.
Atualmente, a aplicação mais provável para essas máquinas não é o combate direto, mas tarefas de risco, como:
- Vigilância remota;
- Transporte de munição;
- Inspeção de áreas contaminadas;
- Entrada prévia em salas perigosas.