China conecta 27 novos reatores nucleares à rede elétrica em dez anos
A China conectou 27 reatores nucleares à rede elétrica em dez anos, totalizando 62 unidades e uma produção de 66,1 gigawatts. O país possui 58 usinas em construção e prevê que sete novos reatores operem até o fim de 2026. A estratégia visa aumentar em 53% o consumo de energia não fóssil até 2030
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A China acelerou a expansão de sua matriz energética, conectando 27 novos reatores nucleares à rede elétrica em dez anos. Com a operação de 62 reatores comerciais, o país atinge atualmente uma produção de 66,1 gigawatts, ritmo que contrasta com a realidade dos Estados Unidos, que colocaram em funcionamento apenas duas novas unidades no mesmo período.
O crescimento da infraestrutura nuclear é impulsionado pela alta demanda elétrica da indústria e a necessidade de processamento de dados para a inteligência artificial. Como as fontes solar, eólica e hidrelétrica não suprem a demanda total, Pequim utiliza a energia nuclear para viabilizar a descarbonização e a independência energética, reduzindo a dependência de importações de carvão, petróleo e gás.
Estratégia de expansão e metas para 2030
O governo chinês estabeleceu que o consumo de energia não fóssil deve crescer 53% até 2030 em relação aos índices de 2025, visando alcançar 1.800 milhões de toneladas de equivalente de carvão. A meta é que o uso de combustíveis fósseis atinja seu pico e inicie um declínio permanente até o final desta década.
Para sustentar esse avanço, a China mantém a liderança global na construção de usinas nucleares pelo 19º ano consecutivo. A previsão é de que sete novos reatores entrem em operação até o fim de 2026, somando-se às 58 unidades já em construção, que devem adicionar 69,5 gigawatts à rede.
Padronização e financiamento estatal
A agilidade na implementação, com média de cinco anos por reator, baseia-se na padronização técnica. O país utiliza o modelo nacional de terceira geração Hualong One e o CAP1000 (adaptado de projeto da Westinghouse), o que permitiu a criação de uma cadeia de suprimentos eficiente e exclusiva.
O custo de geração de eletricidade em uma central de um gigawatt na China é de aproximadamente 42 dólares por megawatt-hora, valor quase 50% inferior aos projetos ocidentais. Essa vantagem financeira é viabilizada por empréstimos estatais com juros reduzidos, que chegam a 1,5%.
Limitações geográficas e dependência de urânio
Apesar do ritmo acelerado, a expansão enfrenta dois obstáculos principais:
- Geografia: Atualmente, as usinas comerciais são permitidas apenas no litoral. Caso a moratória de 2011 sobre instalações no interior seja revogada, o país poderia expandir sua frota para 345 reatores em 77 localidades.
- Matéria-prima: A China importa 90% do urânio utilizado. Embora existam depósitos internos, a construção de minas e refinarias demanda tempo, levando empresas estatais a adquirir direitos minerais em nações como Namíbia e Cazaquistão.
Diversificação da matriz energética
Paralelamente à fissão nuclear, Pequim investe em fusão nuclear com forte aporte do setor privado, prevendo avanços operacionais nos próximos cinco anos.
No entanto, a aposta principal permanece nas energias renováveis, nas quais a China detém monopólio global de fabricação de turbinas eólicas e painéis solares. A meta é que a capacidade combinada de eólica e solar chegue a 2.800 gigawatts até 2030, representando mais da metade da capacidade energética total do país e elevando esse consumo para 25%.